PF conclui que Sicário do caso Master cometeu suicídio

Investigação da Polícia Federal descarta pressão externa na morte de Luiz Phillipi Mourão na prisão de Minas Gerais
Por: Brado Redação 23.abr.2026 às 16h53
PF conclui que Sicário do caso Master cometeu suicídio
Foto: Reprodução

A Polícia Federal chegou à conclusão de que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário e apontado como operador central do banqueiro Daniel Vorcaro, cometeu suicídio sem qualquer influência ou ajuda de terceiros. Mourão se enforcou dentro da cela da Superintendência da Polícia Federal em Minas Gerais no dia 4 de março, após ser preso na Operação Compliance Zero. Ele foi socorrido e levado a um hospital, onde permaneceu internado por dois dias, mas teve a morte confirmada em 6 de março.

O laudo final da investigação será enviado ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, relator do caso Master. Em seguida, o documento deve ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República para análise. A PF analisou imagens das câmeras de segurança da cela e ouviu diversos testemunhos antes de fechar o relatório.

Mourão era descrito pela Polícia Federal como figura central do grupo apelidado de “A Turma”, responsável por obter informações confidenciais, monitorar pessoas e executar ações de interesse de Vorcaro. Mensagens trocadas com o banqueiro revelaram planos para intimidar o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, por meio de um assalto simulado, além de outras conversas sobre ameaças e agressões a adversários. Ele também teria acesso a bases de dados restritas de órgãos públicos nacionais e internacionais.

No momento da prisão, a defesa de Mourão afirmou que as acusações não correspondiam à realidade e que todos os fatos seriam esclarecidos assim que tivesse acesso completo aos autos do processo.

Em Minas Gerais, onde era conhecido pelo apelido de Mexerica, Mourão tinha histórico criminal que incluía furto qualificado, estelionato, associação criminosa, falsificação de documento público, organização criminosa e crimes contra a economia popular. No entanto, os registros não apontavam para crimes violentos. Policiais mineiros o descreviam mais como um golpista do que como um indivíduo de perfil agressivo.

Ele era conhecido por atuar como agiota e por participar de esquemas de pirâmide financeira, investimentos fraudulentos e compra e venda de veículos usados. Havia ainda indícios de envolvimento com jogos do bicho e apostas ilegais, com ramificações que incluíam criminosos e policiais. Mourão também mantinha amizades influentes dentro da polícia mineira e em outros círculos de poder.

Desde 2021, ele respondia a processo como réu por crime contra a economia popular, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A denúncia da Promotoria de Minas Gerais aponta que Mourão atuava como um dos principais articuladores de um esquema de pirâmide financeira iniciado em 2017. O grupo atraía vítimas com promessas de lucros altos por meio de investimentos em títulos, ações e quotas. O processo ainda tramita na 5ª Vara Criminal de Belo Horizonte e não foi julgado até o momento.

A conclusão da Polícia Federal sobre a morte de Mourão encerra a apuração interna sobre o ocorrido na Superintendência de Minas Gerais e deve ser enviada ao Supremo Tribunal Federal nos próximos dias.



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