O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou nesta quarta-feira que o Ministério da Justiça e o Itamaraty adotem todas as medidas necessárias para trazer Carla Zambelli de volta ao Brasil. A decisão ocorreu depois que a Corte de Roma confirmou a extradição da ex-parlamentar, que cumpre prisão preventiva na Itália.
Zambelli foi condenada pelo STF a dez anos de reclusão no processo que apurou a invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com base nessa sentença, o Brasil solicitou formalmente sua extradição às autoridades italianas. Em março, a Justiça de Roma deu parecer favorável, decisão que passou ainda pelo Ministério da Justiça italiano e pela Corte de Cassação, sendo ratificada definitivamente.
No dia 14 de maio, a Coordenação-Geral de Extradição do Ministério da Justiça brasileiro comunicou oficialmente a Moraes o resultado positivo do processo italiano. A partir dessa notificação, o ministro expediu a ordem para que os órgãos competentes tomem as providências administrativas e diplomáticas para efetivar o retorno da ex-deputada.
Além da condenação por invasão ao CNJ, Zambelli responde por outra pena de cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso envolveu a perseguição a um homem em São Paulo com uma pistola em punho, dias antes do segundo turno das eleições de 2022.
A ex-deputada, que possui cidadania italiana, deixou o Brasil em maio de 2025. Ela passou pelos Estados Unidos e se estabeleceu na Itália, onde foi presa dois meses depois. Durante o processo, Zambelli manifestou o desejo de ser julgada no país europeu.
Enquanto tramitava o pedido de extradição, a Justiça italiana decidiu mantê-la detida na penitenciária feminina de Rebibbia, em Roma, sob o argumento de risco de fuga. Caso retorne ao Brasil, ela deve ser encaminhada para a Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a chamada Colmeia.
Em dezembro do ano passado, a Câmara dos Deputados havia rejeitado a cassação do mandato de Zambelli numa tentativa de mantê-la no cargo. O STF, porém, anulou a votação e decretou diretamente a perda do mandato em razão da condenação criminal.
A determinação de Moraes representa o avanço concreto para a execução da primeira condenação imposta pela Corte ao Supremo à ex-parlamentar bolsonarista. O processo de extradição agora entra na fase de operacionalização entre os dois países.
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