Lula amplia liderança sobre Flávio Bolsonaro após escândalo Dark Horse

Nova pesquisa Datafolha registra impacto negativo das denúncias envolvendo o senador na corrida presidencial de 2026
Por: Brado Redação 22.mai.2026 às 16h07
Lula amplia liderança sobre Flávio Bolsonaro após escândalo Dark Horse
Foto: Reprodução/Youtube

Uma pesquisa recente do Datafolha indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou sua dianteira em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas intenções de voto para as eleições presidenciais do próximo ano. O levantamento, realizado após a divulgação do caso conhecido como Dark Horse, mostra o petista com 40% das preferências no primeiro turno, contra 31% do rival — uma diferença que subiu de três para nove pontos percentuais em comparação com a sondagem anterior.

No confronto direto de segundo turno, Lula agora aparece com 47%, enquanto Flávio registra 43%. Na medição feita há uma semana, ambos empatavam em 45%. A maior parte das entrevistas da pesquisa anterior ocorreu antes da exposição pública das conversas entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que envolvem pedidos de recursos para financiar um filme sobre a campanha de 2018 do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O novo estudo foi conduzido entre quarta (20) e quinta-feira (21), ouvindo 2.004 eleitores em 139 municípios. Cerca de 64% dos entrevistados afirmaram ter conhecimento do episódio, e o mesmo percentual avalia que o senador agiu de forma inadequada ao solicitar os valores.

No cenário principal de primeiro turno, Lula e Flávio seguem como os principais nomes, bem à frente dos demais pré-candidatos. Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Romeu Zema (Novo-MG) aparecem com 4% e 3%, respectivamente, empatados com outros nomes de menor expressão, como Renan Santos (Missão) e Samara Martins (UP). Figuras como Augusto Cury (Avante) e outros candidatos pontuam entre 1% e 2%.

Lula também mantém superioridade contra outros adversários potenciais. Contra Caiado, o petista foi de 46% para 48%, enquanto o goiano caiu para 39%. Diante de Zema, a vantagem se manteve semelhante, com o mineiro oscilando para 39%.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), cotada em alguns círculos como possível substituta caso Flávio enfrente dificuldades maiores, apresenta números próximos aos do enteado no segundo turno: 43% contra 48% de Lula. No primeiro turno, porém, ela registra apenas 22%, com o presidente em 41%. Sua candidatura ainda é considerada improvável, com preferência por uma disputa ao Senado pelo Distrito Federal.

O episódio Dark Horse representa o primeiro grande obstáculo para a pré-candidatura de Flávio, que vinha ganhando tração em meio a avaliações negativas sobre o governo Lula. Em abril, ele havia superado numericamente o petista em um segundo turno simulado. O caso envolveu mudanças frequentes de versão por parte do senador, que inicialmente negou irregularidades, depois admitiu o pedido de recursos e, por fim, confirmou encontro pessoal com Vorcaro.

As revelações, publicadas pelo Intercept Brasil, colocaram em evidência ligações financeiras questionáveis, incluindo supostos repasses para a produção do longa-metragem. O escândalo se soma a investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master e operações suspeitas envolvendo figuras do mundo político e empresarial.

Apesar do baque, Flávio ainda se posiciona como a principal alternativa ao campo petista. Na pesquisa espontânea, ele mantém 17% das menções, contra 28% de Lula. A rejeição aos dois principais nomes permanece alta: 46% dizem que não votariam de jeito nenhum em Flávio, enquanto 45% rejeitam Lula. Michelle aparece com 31% de rejeição.

O perfil do eleitorado não sofreu alterações expressivas. Lula concentra apoio entre mulheres, eleitores de baixa renda, menos escolarizados, nordestinos e católicos. Já Flávio tem melhor desempenho entre homens, evangélicos, moradores do Sul e do Centro-Oeste/Norte, além de classes média e alta.

O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07489/2026. Os resultados reforçam que, mesmo com o desgaste recente, o senador continua competitivo, mas o episódio Dark Horse freou o momentum que ele construía nas últimas semanas.



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