O criminalista José Luis Oliveira Lima, mais conhecido como Juca, deixou a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A decisão foi tomada de forma mútua, logo após a Polícia Federal recusar a primeira oferta de delação premiada apresentada pelo banqueiro. A informação, inicialmente publicada pelo blog de Andréia Sadi no G1, foi confirmada por fontes ligadas ao caso.
A saída acontece em um momento de crescente pressão sobre a equipe jurídica de Vorcaro. Além da rejeição da PF, a Procuradoria-Geral da República também demonstrou insatisfação com o conteúdo preliminar da delação, embora tenha concedido nova oportunidade para que o banqueiro apresente provas mais consistentes sobre o esquema de fraudes que teria causado prejuízo bilionário ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Investigadores avaliam que os dados extraídos dos aparelhos celulares dos envolvidos, incluindo o próprio Vorcaro, contêm elementos muito mais relevantes do que aqueles oferecidos até agora na colaboração. Essa percepção aumentou a cobrança sobre os defensores do empresário.
Recentemente, Vorcaro foi transferido de uma sala especial para uma cela comum na Superintendência da PF em Brasília, perdendo alguns privilégios que vinha desfrutando. A mudança gerou insatisfação do banqueiro com as condições de detenção.
Enquanto isso, as apurações continuam avançando sobre a participação de familiares no suposto esquema. O pai de Daniel, o empresário Henrique Vorcaro, permanece preso em uma penitenciária mineira desde meados de maio.
Juca, advogado com larga experiência em casos de grande visibilidade — como a defesa de Leo Pinheiro (OAS) na Lava Jato e do general Walter Braga Netto em investigações relacionadas a tentativas golpistas —, era um dos principais nomes da banca. Próximo de Vorcaro há décadas, ele deixa o caso, mas o advogado mineiro Sérgio Leonardo deve seguir atuando na defesa, sendo inclusive o que mais tem visitado o cliente na carceragem.
O episódio reforça as dificuldades enfrentadas por Vorcaro para costurar um acordo de delação que seja aceito pelas autoridades. O banqueiro segue preso e as investigações sobre as fraudes no Banco Master, que teriam gerado perdas na casa dos R$ 50 bilhões ao FGC, continuam em curso.
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