O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, a retornar para uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. A decisão foi tomada nesta sexta-feira (22) e representa uma reversão da medida anterior, que o havia transferido para uma cela comum.
Vorcaro havia reclamado formalmente das condições inadequadas no local coletivo, citando problemas como vaso sanitário instalado no chão e apenas um cano com água fria para banho. A transferência para o espaço mais confortável — que conta com ar-condicionado e janela — ocorreu após a saída de seu advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, que comandava a estratégia de defesa e a tentativa de delação premiada.
A relação entre Juca e Mendonça estava deteriorada. Em audiência recente, o ministro cobrou uma colaboração mais completa e “verdadeira” do banqueiro. O advogado reagiu de forma desafiadora, afirmando que recorreria à Segunda Turma do STF caso a proposta fosse rejeitada. Pouco depois, Vorcaro foi removido da cela especial. Agora, com a dispensa de Juca, o ministro reavaliou a situação e permitiu o retorno ao regime diferenciado.
O processo de delação premiada segue paralisado. Investigadores consideram que as informações apresentadas até o momento são superficiais e omitem detalhes relevantes sobre supostas relações de Vorcaro com autoridades políticas, incluindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e integrantes do governo federal. O banqueiro também propôs devolver entre R$ 40 bilhões e R$ 60 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos, mas parcelados ao longo de dez anos — prazo visto pelas autoridades como uma forma de postergar o desfecho do caso.
A Polícia Federal já rejeitou a proposta inicial de colaboração. A Procuradoria-Geral da República ainda não se manifestou oficialmente, e a decisão final caberá a Mendonça, relator do caso no Supremo.
Com a mudança na defesa, espera-se que Vorcaro contrate novos advogados capazes de orientá-lo a apresentar uma delação mais robusta, com devolução imediata de valores e revelações concretas sobre irregularidades envolvendo órgãos reguladores, como Banco Central e CVM.
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