Brasília – A Polícia Federal decidiu reiniciar as discussões sobre um possível acordo de delação premiada com Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A medida ocorre uma semana após a rejeição da primeira versão apresentada pela defesa, considerada insuficiente pelos investigadores.
Os agentes enviaram ofício ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), informando o interesse em avaliar novos termos propostos pelo ex-banqueiro. Até o momento, não foi assinado novo termo de confidencialidade, mas a PF sinalizou que analisará qualquer nova oferta da defesa, conforme previsto em lei, que não estabelece prazo para essas tratativas.
A recusa inicial aconteceu no dia 20 de maio. Na ocasião, a avaliação da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi de que os relatos de Vorcaro não traziam elementos novos além das evidências já coletadas, como conversas registradas em celulares durante as investigações.
Desde então, o ex-banqueiro manifestou desejo de prosseguir nas negociações, com apoio da PGR, que defende que acordos dessa complexidade não devem ser encerrados na primeira tentativa. A expectativa é que Vorcaro se comprometa a ressarcir valores significativos – na casa dos R$ 60 milhões – decorrentes das irregularidades no banco.
Nos últimos dias, a PF aceitou reabrir o diálogo, mesmo sem uma proposta revisada formalizada pela defesa. Em 22 de maio, o advogado Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, deixou a condução das tratativas. Permanece na equipe de defesa o advogado Sérgio Leonardo, amigo de longa data de Vorcaro.
As primeiras versões dos anexos da colaboração foram entregues no dia 6 de maio, mas foram avaliadas como fracas por investigadores da PF e da PGR. O ministro André Mendonça também demonstrava ceticismo na época. Apesar disso, ele autorizou o retorno de Vorcaro para uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília, com base em parecer da PGR que alertava para riscos de interferência em provas ou intimidação de testemunhas caso ele permanecesse em cela comum.
A retomada das conversas não garante a aprovação da delação. Qualquer colaboração ainda precisará ser validada por Mendonça e demonstrar efetiva contribuição para as apurações. Vorcaro é apontado como o principal responsável pelo esquema investigado, o que exige termos mais rigorosos.
As autoridades buscam a devolução rápida de recursos desviados, estimados em torno de R$ 60 bilhões no total do rombo causado pela quebra do Banco Master – cujos custos já superam os R$ 57 bilhões. Para isso, o ex-banqueiro deve indicar contas, bens como aviões e imóveis que possam ser usados para quitar os prejuízos.
A continuidade das negociações mantém aberta a possibilidade de Vorcaro entregar informações adicionais que fortaleçam o caso. A defesa do ex-banqueiro não se manifestou quando procurada.
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