Dupla escolha para o Senado transforma o peso do voto baiano em outubro

Com a renovação de dois terços da Casa, o eleitor da Bahia decide ao mesmo tempo a continuidade e a composição da bancada que representará o estado até 2034
Por: Brado Jornal 05.ago.2026 às 03h42
Dupla escolha para o Senado transforma o peso do voto baiano em outubro
Divulgação

O calendário eleitoral de 2026 traz uma exigência que não se repete sempre, o eleitor baiano vai votar duas vezes para senador. A explicação está na própria engenharia constitucional da Casa, das 81 cadeiras do Senado, 54 entram em disputa este ano, renovação de dois terços do total , já que cada estado, junto com o Distrito Federal, elege dois representantes simultaneamente. As 27 vagas restantes seguem com quem venceu em 2022, resultado do mandato de oito anos que diferencia o Senado da Câmara dos Deputados, em que todas as 513 cadeiras se renovam por completo a cada quatro anos.


Na prática, a votação segue sequência fixa na urna: primeiro deputado federal, depois estadual, em seguida os dois candidatos ao Senado, um após o outro, e só então libera a escolha para governador e presidente. Os dois votos ao Senado precisam recair sobre nomes diferentes, repetir o número anula automaticamente o segundo registro, sem voto de legenda para o cargo e sem possibilidade de escolher candidato de fora do estado.


Em 2018, última vez em que o eleitor enfrentou dupla escolha para o cargo, cerca de 63 milhões de votos ficaram incompletos, nulos ou em branco no país inteiro, reflexo direto da dificuldade de lidar com dois nomes na mesma eleição. Estudos sobre comportamento eleitoral mostram que o segundo nome ao Senado costuma ser a última escolha feita na cabine, atrás de presidente, governador e, com frequência, até de deputados.


O padrão é preocupante porque o Senado concentra atribuições que nenhuma outra casa exerce, como aprovação de autoridades indicadas pelo Executivo, análise de empréstimos internacionais e participação direta na condução da política externa. 


A Bahia chega a outubro com um nome já testado na função. Angelo Coronel busca renovar o mandato justamente em uma das duas cadeiras que o estado vai definir, cenário em que o eleitor decide, ao mesmo tempo, continuidade e composição da bancada baiana em Brasília pelos próximos oito anos. Entre um segundo voto que costuma se perder no fim da cabine e um nome com histórico já conhecido de atuação junto aos municípios, a escolha da Bahia neste ano carrega peso pouco comum, de não se tratar apenas de eleger um senador, mas de decidir quem, ao lado de Coronel ou não, vai representar o estado até 2034.



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