O Executivo destinou R$ 33,89 bilhões em emendas parlamentares até o dia 4 de julho de 2026. O montante representa o maior valor já registrado em período pré-eleitoral e supera todo o montante pago durante o ano de 2022, último ciclo de eleições presidenciais.
Os recursos liberados ultrapassam os investimentos executados no Novo PAC no mesmo intervalo (R$ 19,65 bilhões) e equivalem a cerca de um quarto das despesas discricionárias do Orçamento federal. A maior parte desses pagamentos ocorreu sem a conclusão de obras ou projetos, o que permite que os valores sejam utilizados por prefeituras e governos estaduais durante a campanha.
A prática ganhou força com alterações introduzidas desde o governo anterior, como a emenda Pix e o pagamento antecipado de repasses. Em 2026, o Congresso aprovou um calendário prioritário de execução das emendas no primeiro semestre, negociado com o Planalto.
O Palácio do Planalto informou que os repasses seguem a legislação vigente e as decisões do Supremo Tribunal Federal, com observância de aprovação técnica e disponibilidade orçamentária.
Entre os principais beneficiados estão parlamentares da base governista, com destaque para comissões de Saúde. Senadores como Weverton Rocha (PDT-MA) e Carlos Fávaro concentraram volumes elevados de recursos. Parte significativa das emendas ainda vem de indicações individuais, de comissões e de bancadas estaduais.
Especialistas alertam que o mecanismo atual distorce o papel do Legislativo e favorece a desigualdade entre candidatos incumbentes e novos concorrentes.
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