Uma residência de alto padrão no Lago Sul, área nobre de Brasília, funcionava como ponto de reuniões discretas para Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. O local, alugado por ela, não servia como moradia permanente, mas como espaço para encontros frequentes.
Funcionários que trabalharam no imóvel entre 2024 e 2025 relataram que o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparecia no local ao menos duas vezes por mês. Em algumas ocasiões, ele chegava sozinho. A doméstica Zildeni Souza, que permaneceu sete meses no local, contou que sua função se limitava a servir café e organizar a casa. Segundo ela, Luchsinger avisava com antecedência sobre as visitas e pedia que os quartos fossem preparados.
O imóvel, com 2.110 metros quadrados, piscina, jardim, churrasqueira e sala de escritório, pertence a um empresário do setor de mineração que mora no exterior. O aluguel anual na região gira em torno de R$ 240 mil. Lulinha preferia se hospedar ali quando vinha a Brasília, em vez de usar o Palácio da Alvorada.
As investigações da Polícia Federal apontam suspeitas de tráfico de influência envolvendo os dois amigos. Lulinha e Luchsinger deixaram de frequentar a casa há cerca de sete meses, depois que as apurações ganharam força, inclusive as relacionadas a Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS.
A defesa de Lulinha afirma que a amizade nunca foi escondida, que ele não participou de reuniões com clientes da lobista e que não cometeu irregularidades. Já a defesa de Luchsinger optou por não se pronunciar. Mensagens apreendidas indicam conversas sobre negócios e a presença de outras pessoas ligadas ao governo, como o ex-chefe de gabinete Marcola, em alguns encontros.
O filho mais velho de Lula mora atualmente em Madri, na Espanha, e mantém empresas no setor de tecnologia.
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