Rejeição a Jerônimo sobe no interior e aliados evitam o governador nas redes

MDB, PSD e Avante integram a coligação, mas candidatos a deputado não publicam fotos com o petista. Prefeitos procuram ACM Neto e Coronel em sigilo. Clima é comparado ao de 2006 — só que invertido.
Por: Brado Jornal 07.set.2026 às 06h39
Rejeição a Jerônimo sobe no interior e aliados evitam o governador nas redes

A rejeição ao governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) aumentou no interior da Bahia, segundo informações de bastidores. O desgaste tem efeito direto na campanha digital: candidatos a deputado estadual e federal do MDB, do PSD e do Avante deixaram de publicar imagens ao lado do petista nas redes sociais.

A mudança começou na semana passada e é descrita como um movimento inédito no estado. O ponto central é o descompasso dentro da própria base: MDB, PSD e Avante integram a coligação de apoio a Jerônimo. Mesmo assim, os candidatos dessas legendas à Assembleia Legislativa e à Câmara dos Deputados não têm colocado o governador nas postagens.

O clima, de acordo com esses relatos, lembra o de 2006 — quando o PT venceu Paulo Souto de forma inesperada —, mas agora no sentido inverso.

Naquele ano, Jaques Wagner (PT) derrotou o então governador Paulo Souto e inaugurou o ciclo petista no Palácio de Ondina. Em 2026, aliados afirmam, em conversas reservadas, que a alta da rejeição a Jerônimo tem levado candidatos ao Legislativo — inclusive de partidos da coligação — a se descolar da chapa majoritária estadual nas redes.

O próprio Rui Costa (PT), candidato ao Senado, tem priorizado conteúdos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a própria imagem. Quase nada do que circula nas redes do ex-governador e ex-ministro da Casa Civil traz Jerônimo Rodrigues.

Segundo informações de bastidores, prefeitos que integravam a base do governador passaram a procurar ACM Neto (União Brasil), candidato de oposição ao governo, e o senador Angelo Coronel (Republicanos), que concorre à reeleição na chapa de Neto. Os contatos, de acordo com essas fontes, têm sido feitos sob pedido de sigilo.

Parte desses gestores já teria “pulado” da base estadual, sem anúncio público. O movimento é apresentado, nos mesmos relatos, como tentativa de se proteger do desgaste eleitoral no interior.

Nos bastidores, a avaliação é de que cresce na Bahia o chamado voto “Lula + Neto”: eleitores que mantêm a preferência pelo presidente da República, mas se afastam do nome de Jerônimo na disputa estadual e olham para ACM Neto no governo.

Jerônimo Rodrigues tenta a reeleição após vencer ACM Neto em 2022. Neste ano, a disputa pelo Palácio de Ondina voltou a polarizar os dois nomes. No Senado, o PT lança Rui Costa e Jaques Wagner; a oposição tem Coronel e João Roma (PL).

A coligação estadual reúne o PT e partidos aliados, entre eles MDB, PSD e Avante. O recuo nas redes, segundo as fontes, não significa ruptura formal dessas legendas com o governador, mas um recuo individual dos candidatos a deputado na exposição do nome de Jerônimo.



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