Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu nesta segunda (5) do recurso no TSE contra o indeferimento da candidatura ao governo do Rio. A decisão pode dar a vitória a Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno.
Em coletiva, leu carta escrita no domingo em que se diz “perseguido” e afirma denunciar há anos “o apodrecimento das instituições do Estado, que foram capturadas pelo crime e a corrupção”. Chamou o resultado de “consagração dos corruptos”, grande parte reeleita para a Alerj e a Câmara.
Depois de acusar Ruas e Eduardo Paes (PSD) de terem “cúmplices no alto escalão”, negou apoio num eventual segundo turno. “Em função do resultado manifestado pela população nas urnas, não me resta outra opção jurídica a não ser desistir, de forma livre, expressa, consciente e irretratável. Que agora o povo arque com as consequências do que eles fizeram.” Disse que desistiria mesmo se Paes estivesse na frente. “Teria até mais prazer se fosse com ele.” Afirmou ainda que milicianos, corruptos e aliados do tráfico tiveram votação expressiva e que MP, Justiça Eleitoral e polícias Civil e Federal conheceriam irregularidades.
A defesa protocolou às 14h09 um termo de desistência do recurso ordinário, sob relatoria de Floriano de Azevedo Marques. Cita o artigo 998 do Código de Processo Civil e sustenta que Garotinho pode desistir a qualquer momento, sem anuência das outras partes. O resultado ainda depende da homologação e de eventual retotalização. O TSE não se posicionou. “Eu fiz a minha parte”, disse o ex-governador.
Com 100% das urnas, Ruas teve 4.271.199 votos (49,27%) e Paes, 3.706.984 (42,76%). Garotinho somou 274.411 (3,17%). Sem esses votos na base, que cairia de 8.669.038 para 8.394.627, Ruas iria a 50,88% e Paes a 44,16%. Se os votos forem só anulados, o percentual não muda e o segundo turno se mantém. O TSE não disse o que fará se aceitar o pedido.
O registro de Garotinho foi indeferido pelo TRE-RJ por condenação de improbidade. A defesa argumenta que a inelegibilidade terminou em julho e recorreu. Em outra frente, Floriano Marques decidiu na sexta (2) que os votos dele não deveriam contar. No domingo, Kassio Nunes Marques mandou incluí-los no cálculo até decisão colegiada do TSE.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...