A campanha de Lula começou a explorar uma das linhas do segundo turno: aumentar a rejeição a Flávio Bolsonaro ao apresentar uma vitória do adversário como risco a programas sociais. Nesta terça, saiu uma peça que associa o “tesouraço” prometido pelo candidato do PL a cortes da gestão do pai.
Integrantes da campanha avaliam que é preciso elevar a rejeição de Flávio nesta etapa. O plano é reforçar a comparação com o governo Jair Bolsonaro e o receio de perda de benefícios. No último Datafolha antes do primeiro turno, os dois empatavam: 45% diziam que não votariam de jeito nenhum em cada um.
O vídeo cita cortes ou redução de recursos em Farmácia Popular, Minha Casa Minha Vida, Mais Médicos, combate ao câncer, cisternas, merenda escolar e prevenção de desastres. “Flávio Bolsonaro vive dizendo que vai fazer um tesouraço no Brasil. Mas, quando um dos Bolsonaros fala em corte, é preciso relembrar para não repetir.”
A peça vai além da comparação econômica e usa o temor da volta do bolsonarismo. “Agora, Flávio Bolsonaro quer dar continuidade ao legado perverso do pai e cortar tudo aquilo que o povo reconquistou. Não deixe esse pesadelo voltar. Bolsonaros nunca mais.”
Depois de um primeiro turno em que Lula priorizou as realizações do governo, aliados passaram a defender confronto direto e exposição das diferenças. Petistas também avaliam explorar episódios da gestão Bolsonaro e temas capazes de aumentar a resistência ao adversário.
O tom muda como o próprio Lula anunciou depois da votação de domingo: a nova etapa seria “outra campanha”, com confronto entre dois projetos. O entorno reconheceu problemas de comunicação no primeiro turno e passou a defender mensagens mais contundentes contra Flávio.
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