Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, disse ter sinalizado a Edson Fachin que o Senado, na próxima legislatura, “não será omisso” diante de pedidos de impeachment de ministros do STF. A fala veio depois de uma reunião no início da tarde desta terça.
Marinho afirmou que a campanha não tem “espírito de vendetta”, mas quer respeito às regras. “Deixamos claro que na hora em que houver algum crime de responsabilidade por ministro do STF o Senado não vai se omitir.” Para ele, a Casa hoje é omissa por não analisar esses pedidos. Defendeu mudar o regimento para que sejam enviados de imediato à Procuradoria do Senado e os processos sejam abertos “independentemente da vontade” do presidente do Congresso.
“Não temos vingança, mas não há omissão. A Constituição é clara. Separação de poderes é elemento basilar da República. Mas não existe poder absoluto. Indício de crime, cometido por quem quer que seja, não pode ser acobertado pelo corporativismo.”
O encontro, segundo o senador, era para tratar de uma suposta intervenção de ministros do STF na Justiça Eleitoral. Ele voltou a criticar decisões sobre eleições suplementares no Rio que não ocorreram.
No mesmo período, Fachin recebeu a líder do governo Lula no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Ela saiu sem falar com a imprensa.
As audiências vieram depois do primeiro turno, que quase dobrou a bancada do PL no Senado. A onda bolsonarista deu à direita vantagem para emplacar pautas a partir de 2027, e já há número próximo para negociar impeachment de ministros, bandeira de aliados de Bolsonaro.
Uma ala do STF vê com preocupação o tamanho da bancada e avalia que a composição das urnas deve tornar o Congresso mais hostil. Outros ministros consideram prematuro antecipar confronto. O tema também apareceu em comentários reservados na sala do TSE, no domingo, durante a totalização: integrantes das cortes superiores disseram estar preocupados com o impeachment e com projetos da extrema-direita que possam enfraquecer o Judiciário.
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