PL rejeita acordo e mira impeachment de Moraes

Legenda avalia ter 49 votos no Senado e condiciona ação contra Dino à postura do ministro após o segundo turno
Por: Brado Redação 06.out.2026 às 07h56
PL rejeita acordo e mira impeachment de Moraes
Reprodução

A legenda de Flávio Bolsonaro descarta qualquer entendimento político com a corrente do Supremo Tribunal Federal alinhada ao governo e mantém a intenção de protocolar, em 2027, um pedido de impeachment contra Alexandre de Moraes. A mesma linha pode alcançar Flávio Dino, conforme o comportamento que o ministro adotar caso Lula não seja reeleito.

Integrantes do entorno do candidato registraram, nesta segunda-feira, o que interpretaram como gestos discretos daquela ala da Corte. O recado, na leitura do grupo, apontaria para um arranjo em que ministros ficariam de fora de processos de afastamento em troca, entre outros pontos, da reanálise da prisão de Jair Bolsonaro e da validação de uma anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro.

A defesa do ex-presidente já entregou um novo pedido de revisão criminal. O relator, Kassio Nunes Marques, indicou que pretende levar o caso a julgamento somente depois do segundo turno.

O primeiro movimento público interpretado como tentativa de aproximação partiu de Michel Temer. O ex-presidente declarou apoio a Flávio Bolsonaro antes mesmo de outros partidos e candidatos derrotados no primeiro turno. Temer indicou Moraes ao STF em 2017 e permanece como o principal elo político entre o ministro e a família Bolsonaro.

Apesar do gesto, o PL recusa qualquer diálogo ou acordo que envolva Moraes. A preferência interna é que o próprio tribunal abra uma investigação sobre a relação do ministro com Daniel Vorcaro e determine seu afastamento enquanto o inquérito tramitar.

Há, porém, a avaliação de que o perfil confrontador de Moraes deve permanecer. Nesse cenário, a alternativa residual seria o impeachment no Senado a partir de 2027. Pelas contas da legenda, 49 votos já estariam assegurados; faltariam cinco para atingir o quórum mínimo de 54.

Dino entra no mesmo radar de forma condicional. Se a vitória de Flávio Bolsonaro se confirmar nas urnas e o ministro avançar em apurações de interferência estrangeira como meio de contestar o resultado, ou se mantiver inquéritos sigilosos sobre o uso de emendas parlamentares, também passará a integrar a lista de alvos da legenda.



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