Marçal, que tem atuado de forma próxima à campanha de Flávio e ajudado no desenho de propostas como o Ministério da Prosperidade, disse que Renan “criou uma seita na cabeça dos muleques esquisitos” e que “não tem nada a ver com direita, nunca foi e tá desmascarado”. A comparação com Hitler e a acusação de traços comunistas circularam rapidamente em cortes nas redes e foram recebidas com rejeição por parte da base do candidato do Missão, que no primeiro turno obteve cerca de 2,6 milhões de votos.
Eleitores que votaram 14 no primeiro turno relatam revolta com o tom da declaração. Em grupos e postagens, muitos afirmam que não pretendem transferir o voto para Flávio e preferem anular ou se abster, em protesto contra o que classificam como ataque desproporcional e tentativa de desqualificar o projeto de Renan. A reação reforça o desconforto de um segmento que já se posicionava de forma crítica em relação ao bolsonarismo e que vê a fala de Marçal como um agravante, e não como um argumento para união da direita.
Nos bastidores, interlocutores do PT e do governo Lula receberam a declaração com animação. Fontes ligadas à campanha petista avaliam que a fala de Marçal ajuda a manter fragmentada a base de Renan Santos e reduz o risco de migração organizada de votos do 14 para Flávio no segundo turno. A avaliação interna é de que Marçal, ao atacar o candidato do Missão com comparações extremas, acaba funcionando como um fator útil ao governo Lula ao aprofundar a rejeição entre eleitores que já hesitaram em apoiar o senador do PL.
A campanha de Flávio não se pronunciou formalmente sobre o episódio até o fechamento desta edição. Marçal, por sua vez, tem reforçado em entrevistas recentes a disposição de integrar um eventual governo do candidato do PL, seja em pasta ligada a empreendedorismo e prosperidade, seja em outras funções. A declaração no Iron Talks se soma a uma sequência de críticas anteriores de Marçal a Renan, mas o tom desta vez — associando o adversário a Hitler e a práticas comunistas — gerou o maior ruído entre os eleitores do 14 desde o fim do primeiro turno.
Analistas de campanha ouvidos pela reportagem apontam que o efeito prático mais imediato é o reforço da intenção de voto nulo ou abstenção entre parte dos eleitores de Renan Santos. Em uma disputa ainda apertada, a perda de qualquer parcela desses votos — mesmo que modestos em volume — é vista pelo entorno do PT como favorável a Lula. Marçal, ao assumir o papel de crítico mais agressivo de Renan, termina por prestar um serviço indireto ao governo que diz combater, ao dificultar a consolidação de apoios que poderiam fortalecer Flávio.
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