Aiatolá Ali Khamenei acusa manifestantes de destruírem o país para agradar Donald Trump

Líder supremo do Irã promete repressão aos protestos antigoverno que pedem liberdade e critica atos de vandalismo como tentativa de agradar os EUA
Por: Brado Jornal 11.jan.2026 às 07h42
Aiatolá Ali Khamenei acusa manifestantes de destruírem o país para agradar Donald Trump
Reuters
O líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, criticou duramente os participantes dos protestos antigoverno que tomam as ruas de várias cidades iranianas, afirmando que eles agem como vândalos ao danificar propriedades públicas e ruas apenas para contentar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Em um discurso televisionado realizado na sexta-feira, 9 de janeiro de 2026, o aiatolá de 86 anos declarou que esses manifestantes buscam agradar o líder americano ao provocar destruição em seu próprio território. Ele deixou claro que o regime não recuará diante dessa agitação e insinuou que as forças de segurança irão reprimir os atos, enquanto a plateia ao seu redor entoava gritos de "Morte à América".

Os protestos, que ganharam força a partir do final de dezembro de 2025 devido à grave crise econômica, inflação elevada e sanções internacionais, intensificaram-se após o apelo do príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi por manifestações em massa pedindo liberdade.
Nas noites recentes, especialmente na quinta-feira (8), multidões em Teerã e outras localidades atearam fogo a veículos, estações de metrô, ônibus e outros bens públicos, com cânticos contra o regime, como "Morte ao ditador" e referências ao retorno do Xá.

O governo iraniano respondeu com repressão severa: ao menos 42 mortes foram registradas em confrontos, segundo organizações de direitos humanos baseadas no exterior, além de mais de 2.270 detenções. As autoridades culparam "agentes terroristas" ligados a Estados Unidos e Israel pela violência, enquanto impuseram um apagão total de internet e comunicações telefônicas no país para limitar a divulgação das imagens.

Donald Trump reagiu às ameaças de repressão ao advertir que os EUA interviriam em defesa dos manifestantes caso o regime use força letal contra eles, afirmando em entrevistas recentes que Teerã "pagaria caro" por qualquer violência. Ele também comentou que a situação no Irã está se agravando drasticamente e evitou confirmar contatos diretos com Reza Pahlavi.

Essa onda de manifestações representa um dos maiores desafios ao regime islâmico desde a Revolução de 1979, agravada por fatores como a recente guerra de 12 dias com Israel e o colapso do rial, que chegou a níveis recordes frente ao dólar.


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