Em entrevista à CBS News, Trump declarou: "Se eles os enforcarem, vocês vão ver algumas coisas... Vamos tomar medidas muito duras se fizerem isso".
O mandatário americano também incentivou os iranianos a persistirem nos atos de contestação. Em postagem na plataforma Truth Social, ele escreveu que as autoridades iranianas "pagarão um preço alto" pelas mortes e pediu que as pessoas "continuem protestando". Ele ainda afirmou: "Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a morte sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO. MIGA!!!" usando o slogan da oposição "MIGA" (Make Iran Great Again), em alusão ao seu próprio "MAGA".
Trump mencionou que planejava uma reunião na Casa Branca para discutir a crise iraniana e obter "números precisos" sobre as vítimas. Ao retornar à Casa Branca, comentou a repórteres: "Parece que o número de mortes é significativo, mas ainda não sabemos com certeza". Ele acrescentou que, com dados confirmados, "agiremos de acordo".
Organizações de direitos humanos relatam uma repressão brutal. A HRANA (Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos), sediada nos EUA, confirmou a morte de pelo menos 2.403 manifestantes, além de 12 crianças e cerca de 147 pessoas ligadas ao governo. Outras fontes, como a Hengaw, indicam números ainda maiores, chegando a mais de 2.500 óbitos totais em atualizações recentes. Um funcionário iraniano admitiu à Reuters cerca de 2.000 mortos, atribuindo-os a "terroristas".
Um caso emblemático é o de Erfan Soltani, de 26 anos, detido em 8 de janeiro. Familiares informaram à BBC Persian que ele foi condenado à morte em um julgamento relâmpago de apenas dois dias, com execução marcada para 14 de janeiro. Um representante da Hengaw, Awyar Shekhi, afirmou: "Nunca tinha visto um caso avançar tão rapidamente". Ele acrescentou que o caso de Soltani demonstra que o governo iraniano está "usando todas as táticas que conhece para reprimir as pessoas e espalhar medo".
Os protestos, iniciados por insatisfação com a desvalorização da moeda e o custo de vida elevado, se espalharam por cerca de 180 cidades em todas as 31 províncias, evoluindo para demandas por mudanças políticas profundas um dos maiores desafios ao regime desde a Revolução Islâmica de 1979. Mais de 18.000 pessoas foram presas, segundo a HRANA.
A repressão incluiu força letal, bloqueio quase total da internet (ultrapassando 132 horas em alguns momentos) e sobrecarga em hospitais de Teerã, descrita por médicos como "zona de guerra", com falta de sangue e suprimentos. Vídeos verificados mostram pilhas de corpos no Centro Forense de Kahrizak, em Teerã, e confrontos em cidades como Arak, Tabriz, Urmia e Khorramabad, com manifestantes gritando slogans como "Morte ao ditador" (referindo-se ao líder supremo Ali Khamenei) e referências nostálgicas ao xá Reza Pahlavi.
O alto comissário de direitos humanos da ONU, Volker Türk, exigiu o fim imediato da violência contra manifestantes pacíficos, criticou a rotulação como "terroristas" e condenou julgamentos acelerados com pena de morte. O chefe do Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, prometeu tratar os envolvidos "com seriedade e severidade", e promotores mencionaram acusações de "inimizade contra Deus".
O governo iraniano rebateu as ameaças americanas, acusando os EUA de buscar "pretexto para intervenção militar" e afirmando que "esse roteiro já falhou antes". Trump também avalia opções militares e já impôs tarifas de 25% sobre países que mantenham comércio com o Irã.
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