A Alemanha anunciou nesta quarta-feira (21) a rejeição ao convite do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para integrar o chamado "Conselho da Paz", um órgão internacional proposto para supervisionar a reconstrução e a governança da Faixa de Gaza após o recente conflito na região.
A decisão, confirmada por fontes do governo alemão, segue a recusa pública da França e sinaliza crescentes tensões entre Washington e aliados europeus sobre abordagens unilaterais em questões globais.
O "Conselho da Paz", idealizado pela administração Trump, visa coordenar esforços de reconstrução em Gaza, incluindo aspectos de segurança, economia e governança.
Convites foram enviados a representantes de cerca de 60 países, incluindo Brasil, Alemanha, Índia, Turquia, Rússia, Hungria e Canadá.
Trump presidiria o conselho, o que levanta preocupações sobre o equilíbrio de poder e o respeito à Carta das Nações Unidas, segundo críticos europeus.
A recusa alemã ecoa a posição francesa, anunciada na segunda-feira (19) pelo presidente Emmanuel Macron, que argumentou que o estatuto do conselho "vai além de Gaza" e não se limita ao Oriente Médio, conflitando com resoluções do Conselho de Segurança da ONU.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores francês enfatizou que decisões sobre o conflito israelo-palestino devem priorizar mecanismos multilaterais existentes, como a ONU, em vez de iniciativas criadas unilateralmente.
Outros países europeus planejam seguir o exemplo.
Reino Unido, Países Baixos e Suécia indicaram que não aceitarão o convite, enquanto a Itália, segundo relatos da imprensa local, também tende a rejeitar. Líderes da União Europeia (UE) discutirão o tema em uma reunião de emergência, complicando esforços para desanuviar tensões transatlânticas já agravadas por questões como tarifas comerciais e a controvérsia sobre a Groenlândia.
Por outro lado, convites foram aceitos por países como Egito e Israel, expondo divisões internacionais em torno da proposta.
A Rússia, convidada apesar das sanções ocidentais, ainda não se pronunciou oficialmente, assim como o Brasil e outros convidados.
O contexto remete ao retorno de Trump à Casa Branca em 2025, marcado por políticas externas assertivas, incluindo o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e ameaças de anexação da Groenlândia.
Analistas veem o Conselho da Paz como uma tentativa de Trump de centralizar influência no Oriente Médio, mas europeus temem que isso enfraqueça a ONU e favoreça abordagens unilaterais.
Nas redes sociais, a notícia gerou reações mistas, com alguns elogiando a independência europeia e outros criticando o que veem como oportunidade perdida para paz.
O governo alemão não detalhou motivos específicos além de "considerações sobre multilateralismo", mas fontes indicam alinhamento com a posição francesa.
O desfecho pode influenciar respostas de outros convidados e o futuro das relações EUA-Europa em um ano já tenso.
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