O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o líder chinês Xi Jinping durante sua participação no Fórum Econômico Mundial (WEF) em Davos, chamando-o de "um homem incrível" e destacando que "o que ele fez é impressionante e ele é muito respeitado por todos".
As declarações, feitas em um contexto de polarização global, contrastam com as críticas frequentes de Trump à China em temas como comércio e influência no Ártico, mas ecoam elogios passados do republicano ao estilo de liderança de Xi.
Trump enfatiza a inteligência e o controle de Xi, descrevendo-o como alguém que governa "com punho de ferro" 1,4 bilhão de pessoas, e sugere que Hollywood não encontraria ator capaz de interpretá-lo devido à sua "brilhância" e aparência "perfeita". Embora apresentado como urgente, o elogio remete a padrões semelhantes em entrevistas anteriores de Trump, como em 2023, quando ele chamou Xi de "cara brilhante" em evento na Fox News.
A edição de 2026 do WEF, sob o tema "Um Espírito de Diálogo", reúne um recorde de líderes mundiais, incluindo Trump com a maior delegação americana já vista no evento. Trump chegou a Davos após ameaças de tarifas a aliados europeus e insistência na anexação da Groenlândia, citando supostas ameaças chinesas e russas à ilha ártica. Em contrapartida, a China enviou uma delegação robusta liderada pelo vice-premier He Lifeng, que posicionou Pequim como força estável e defensora do multilateralismo, contrastando com a "caos" da política externa trumpista.
Xi Jinping não compareceu pessoalmente, mas sua ausência não diminuiu o foco chinês em comércio livre e cooperação global.
Os elogios de Trump a Xi não são novos. Em 2020, durante a assinatura da Fase Um do acordo comercial EUA-China, Trump chamou Xi de "amigo muito bom" e elogiou sua parceria em negociações "duras, honestas e respeitosas". Em 2017, logo após uma visita a Pequim, Trump o descreveu como "representante altamente respeitado e poderoso de seu povo". Mesmo em 2019, amid the Hong Kong protests, Trump referiu-se a Xi como "grande líder" respeitado por seu povo.
Analistas veem nesses comentários uma admiração pelo autoritarismo de Xi, que Trump já chamou de "punho de ferro inteligente".
Em Davos, o discurso de Trump ocorre em um momento de turbulência: ameaças de tarifas a oito nações europeias por oposição à Groenlândia, sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e negociações comerciais com a China, incluindo compras de soja e fluxo de terras raras.
O secretário do Tesouro, Scott Bessent, elogiou avanços após reunião com He Lifeng, sinalizando possível cúpula Trump-Xi em abril. Críticos, como o ex-presidente francês François Hollande, alertam que as ações de Trump enfraquecem a Otan e beneficiam rivais como China e Rússia.
A China, por sua vez, usa Davos para se posicionar como contraponto estável, com He Lifeng defendendo que Pequim nunca buscou superávits comerciais deliberados e prometendo ser "o mercado do mundo". Mídia estatal chinesa destacou aplausos "sinceros e entusiásticos" à postura de Pequim.
Xi, em discurso recente sobre o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), enfatizou um "início sólido" para o desenvolvimento chinês.
As declarações de Trump dividem opiniões: apoiadores veem pragmatismo diplomático; críticos, inconsistência com retórica anti-China. Nas redes, reações vão de surpresa a acusações de hipocrisia.
O episódio reforça a polarização no WEF, onde Trump "paira grande" sobre debates sobre IA, economia e ordem mundial.
O fórum continua até 23 de janeiro, com expectativa de mais anúncios sobre relações EUA-China.
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