O Ministério da Saúde decidiu interromper temporariamente o uso da vacina contra dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A medida cautelar foi anunciada pelo ministro Alexandre Padilha em coletiva de imprensa realizada em Brasília, com a presença de representantes da Anvisa.
A suspensão se deve a 42 casos de reações adversas mais severas que estão sendo investigados. Dentre eles, duas mortes possíveis relacionadas ao imunizante ainda não tiveram causalidade confirmada. Padilha enfatizou que, no campo da saúde, a precaução costuma ser a melhor conduta. Até o momento, cerca de 500 mil doses foram aplicadas, sendo a maioria em profissionais de saúde de todo o país.
A vacina do Butantan, de dose única, foi utilizada de forma ampliada em cidades-piloto como Botucatu (SP), Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e na região de Araguaína (TO), com faixa etária de 15 a 59 anos. O ministro orientou que quem recebeu o imunizante nos últimos 21 dias fique atento a sintomas como febre, vômito e dores abdominais, buscando atendimento imediato caso surjam.
A análise dos eventos adversos está sendo conduzida conjuntamente pelo Ministério da Saúde, pela Anvisa e pelo próprio Instituto Butantan. O diretor Esper Kallás, presente no anúncio, reforçou o compromisso com o rigor científico e expressou esperança de que os dados permitam a retomada da vacinação em breve, caso a segurança seja confirmada. Ele lembrou que o imunizante apresentou eficácia de 79,6% contra a doença e 89% contra formas graves em estudos publicados.
Enquanto isso, a vacina Qdenga, do laboratório Takeda, continua sendo aplicada normalmente no Sistema Único de Saúde. O Brasil foi o primeiro país a incorporar uma vacina contra dengue no SUS, com cerca de 8 milhões de doses já administradas desse imunizante. A estratégia de vacinação pública teve início em fevereiro de 2024, priorizando municípios com alta incidência.
As autoridades reforçam que o combate ao mosquito Aedes aegypti permanece a principal ferramenta de prevenção, por meio de medidas como eliminação de criadouros, uso de ovitrampas, insetos estéreis e o método Wolbachia. Recentemente, o país registrou queda de 75% nos casos de dengue em comparação ao ano anterior, tendência observada desde 2025.
O Butantan, em nota, informou que segue a orientação dos órgãos reguladores para reavaliar a estratégia vacinal e garantir a segurança da população. O instituto destacou que, nos municípios-piloto, o monitoramento não registrou eventos graves significativos e reafirmou seu compromisso com soluções eficazes para a saúde pública.
Uma reunião com gestores estaduais está prevista para detalhar os próximos passos da campanha de vacinação contra a dengue. O Ministério da Saúde deve continuar ampliando as ações de prevenção e monitoramento da doença, que segue como um dos principais desafios epidemiológicos no país.
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