A cultura do cancelamento e a nova espiral do silêncio: não devemos aprender o que há de pior na esquerda.

A cultura do cancelamento e a nova espiral do silêncio: não devemos aprender o que há de pior na esquerda.

Com os ânimos acalmados e ainda com grandes expectativas para os acontecimentos vindouros, não poderia deixar de falar sobre o que aconteceu na última quinta e sexta-feira, no campo da direita em nosso país. A fatídica nota elaborada pelo ex-presidente Michel Temer e assinada pelo nosso Presidente Bolsonaro causou um enorme “rebuliço” entre a grande confraria patriótica que apoia o Capitão. No calor e na surpresa do momento, muitos ficaram atônitos e frustrados – inclusive eu – ao perceber que Temer, como uma espécie de intruso, estava assumindo o protagonismo da situação num momento tão importante para a nossa nação.


Um filme passou pela cabeça de muitos. Diversas cartas estavam expostas naquela altura do jogo, inclusive o fato do ex-presidente vampirão ter indicado o Alexandre de Moraes para ministro do STF. O resultado é que, naquele momento, muitos apoiadores do Presidente Bolsonaro começaram a disparar duras críticas contra ele, sem entender muito bem o que estava se passando. Ora, depois da magnitude colossal das manifestações do dia 7 e diante desse fato inusitado da mudança de tom do Presidente mostrada na “Declaração à Nação” redigita por Temer, na minha forma de enxergar as coisas, tecer críticas naquela ocasião era algo muito natural e legítimo entre pessoas que sempre deram o sangue pelo presidente e por este governo.


É bom observar que críticas entre os confrades não desabonam em momento algum o sentimento patriótico nem o apoio ao Capitão. Ao contrário: as críticas são ferramentas para o crescimento. Você pode fazer críticas ao seu pai ou a sua mãe, ao seu esposo ou a sua esposa, ao seu filho ou a sua filha, aos seus amigos e nem por isso, em condições normais, você vai deixar de amar, admirar ou vai cortar definitivamente os laços. Isso é óbvio. Contudo, o que se viu foi algo que me deixou deveras preocupado. Boa parte da direita, enfurecida com as críticas proferidas pelos fatos ocorridos, tratou logo de promover um linchamento público aos seus autores, seguido de uma espécie de movimento em prol do “cancelamento” dessas pessoas. Exatamente a mesma tática lacradora da esquerda contra os seus desafetos.


Entretanto, o que mais de deixou espantado é que essa distorção de comportamento gerou uma espécie de espiral do silêncio interna em nosso campo. Acreditem. Muita gente me procurou e manifestou suas frustações diante os acontecimentos. Porém, apenas de maneira privada nas redes sociais. Todas essas pessoas alegavam o medo do “cancelamento” que estava em curso, e falavam na retaliação que poderiam sofrer caso as suas opiniões fossem emitidas de maneira explícita. Pessoal, tudo isso é muito grave.


Não podemos sufocar burramente o debate na direita que ainda nem nasceu direito. Não podemos agir exatamente da mesma forma que o nosso inimigo, a esquerda. O conservadorismo sempre foi e sempre será pautado na liberdade e no livre direito de se expressar. O oprimido jamais pode virar opressor. Toda unanimidade é burra e a fé cega é coisa de seita religiosa. Não podemos nos permitir cometer esse erro.