Bolsonaro está preparado para ser presidente

Por: Zizi Martins 09.ago.2022 às 19h39
Bolsonaro está preparado para ser presidente

Passei 5h ontem assistindo o presidente Bolsonaro dando uma entrevista ao Flow, que é um dos mais seguidos e mais polêmicos podcasts do Brasil.

O entrevistador Igor 3K não parecia muito informado e se mostrou passivo até certo ponto. Nem por isso, deixou de personificar o brasileiro comum, tendo feito perguntas até desconcertantes e colocando contradições e dificuldades de gestão de modo claro na tela.

Num período de fala semelhante ao dos discursos de Fidel Castro, o presidente interagiu como se estivesse em sua sala de estar fazendo confidências, registrando acertos, dando palavrões e pontuando até erros bem explorados pela oposição, como sua infeliz fala na pandemia “eu não sou coveiro”.

Várias circunstâncias adjetivadas pelas “reportagens” e “matérias” da mídia tradicional tiveram seu contraponto, para uma plateia que, julgando pela enquete, tinha, pelo menos, 25% de não eleitores do presidente. (Declarados eleitores de Lula, somados com indecisos). E ficou a pergunta: terá ele furado a bolha? Porque foi essa a impressão passada.

As inúmeras entregas das áreas da infraestrutura, assistência social, ciência e tecnologia, agronegócio, saúde, segurança pública, meio ambiente etc fluíram da exposição como um portfólio consolidado num painel 3D.

Até as controvérsias da pandemia vieram à tona, num tom de desabafo, com uma clara demonstração de que o trabalho teria sido muito mais fácil se a crença não fosse de que a Economia vinha depois da Saúde, como a imprensa tradicional, Academia e setores do judiciário fizeram crer. Bolsonaro ressaltou veementemente que foi o único presidente assim no mundo!

Num certo momento, para além da 3h de duração, o mandatário acusou que a entrevista não estaria fluindo e pediu para checar a audiência, no que, além de ter ouvido “o senhor fala demais”, foi logo incentivado a continuar porque sua audiência permanecia com mais de meio milhão de pessoas.

Se muito tempo tive a desconfiança de que o “deputado Bolsonaro” estava impregnado no “presidente Bolsonaro” e não o deixava atuar como líder, e não apenas como o chefe(institucional) do Executivo, fui perdendo essa percepção ao longo da entrevista. Ali, mantendo uma coerência quase obstinada ao insistir na insegurança do sistema eleitoral, nas pautas conservadoras garantidas no Texto Constitucional e na contrariedade ao ativismo judicial, estava um homem calejado pela perseguição diária e muito mais cheio de fé e temperança. Estava um cara experimentado na gestão e no diálogo com o Parlamento como o caminho natural para fazê-la fluir.

Claramente também, hoje reside naquela personalidade um liberal clássico convertido que briga com o “velho homem” nacional-desenvolvimentista. Talvez ainda um populista mas muito cioso das “quatro linhas” a que lhe obriga a Democracia Liberal.

Sem dúvidas, o colérico-sanguíneo JAIR permanece o mesmo e está aí para, de novo, mobilizar a militância a continuar lotando todos os espaços onde pisa e a ir às ruas pela liberdade. Porém, o estadista, tão esperado, foi se fazendo e crescendo no político Bolsonaro. Mais do que nunca, está preparado para ser presidente.

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