Cristina Kirchner tem prisão decretada pela Suprema Corte argentina por corrupção

Após a decisão, Kirchner declarou ser vítima de perseguição política, alegando que a sentença “já estava escrita” há três anos
Por: Brado Jornal 11.jun.2025 às 09h27
Cristina Kirchner tem prisão decretada pela Suprema Corte argentina por corrupção
(Foto: Reprodução)

A ex-presidente da Argentina, Cristina Kirchner, teve sua prisão determinada pela Suprema Corte de Justiça do país nesta terça-feira (10.jun.2025), após a rejeição unânime de um recurso contra sua condenação a 6 anos de prisão por desvio de recursos públicos. A decisão, que também a torna inelegível, frustra os planos de Kirchner de concorrer a uma vaga de deputada pela província de Buenos Aires. Por ter mais de 70 anos, ela pode requerer o cumprimento da pena em regime domiciliar.

Esquema de desvios e prejuízos bilionários

O caso envolve fraudes em licitações de obras públicas na Patagônia, destinadas à construção de estradas. Segundo a acusação, os contratos foram direcionados a Lázaro Báez, empresário próximo à família Kirchner, resultando em prejuízos estimados em US$ 1 bilhão aos cofres públicos. Muitas das obras licitadas não foram concluídas ou foram canceladas. Evidências apontam que o patrimônio de Báez cresceu 12.000% entre 2004 e 2015, enquanto sua empresa registrou um aumento de 46.000% no mesmo período.

Condenações e contexto histórico

Além de Kirchner, o processo resultou na condenação de outras nove pessoas, incluindo Báez, o ex-secretário de Obras Públicas José Lopez e o ex-chefe da Administração Nacional de Rodovias Nelson Pierotti, todos sentenciados a 6 anos de prisão. Quatro réus foram absolvidos. Embora inocentada da acusação de liderar uma associação criminosa, Kirchner foi considerada culpada por desvio de recursos.

Cristina Kirchner, que governou a Argentina entre 2007 e 2015 e foi vice-presidente de 2019 a 2023 sob a gestão de Alberto Fernández, é a segunda ex-presidente do país a receber uma condenação criminal na história democrática argentina. O primeiro foi Carlos Menem, condenado por venda ilegal de armas, mas que nunca chegou a ser preso devido à falta de confirmação em última instância. Caso a sentença se mantenha, Kirchner será a primeira ex-presidente a enfrentar prisão efetiva.

Reação da ex-presidente

Após a decisão, Kirchner declarou ser vítima de perseguição política, alegando que a sentença “já estava escrita” há três anos. A determinação da Suprema Corte reforça o combate à corrupção no país, mas também intensifica o debate sobre a polarização política na Argentina, com apoiadores da ex-presidente denunciando uma suposta instrumentalização do Judiciário.




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