De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada em 20 de fevereiro de 2026, o rendimento médio habitual dos trabalhadores na Bahia alcançou R$ 2.284 mensais no ano de 2025. Esse valor posiciona o estado como o segundo pior no ranking nacional, superado apenas pelo Maranhão (R$ 2.228) e abaixo do Ceará (R$ 2.394), que ocupava a terceira colocação na medição anterior (2024-2025).
Na comparação com o período anterior, a Bahia perdeu uma posição no ranking dos menores rendimentos, refletindo o agravamento relativo da situação. A média nacional supera em cerca de R$ 1.300 o valor baiano, enquanto em estados como o Rio de Janeiro o rendimento chega a quase o dobro.
O economista Edval Landulfo, presidente do Conselho Regional de Economia da Bahia (Corecon-BA), atribui o baixo patamar à elevada taxa de informalidade, em 2025, oito em cada dez novos empregos gerados no estado foram sem carteira assinada ou registro no CNPJ. A informalidade voltou a crescer após dois anos de recuo e atingiu recorde recente. Além disso, apenas 18% dos ocupados possuem ensino superior completo, o que restringe o acesso a vagas melhor remuneradas, aumenta a rotatividade e favorece ocupações de baixa qualificação.
Esses fatores perpetuam desigualdades profundas, com disparidades raciais e de gênero mais acentuadas entre mulheres negras, além de limitar o consumo, enfraquecer a economia local e ampliar a dependência de auxílios como o Bolsa Família e transferências estaduais. A baixa renda compromete o acesso a itens básicos, eleva o risco de insegurança alimentar e prejudica a qualidade de vida geral.
No mercado de trabalho baiano de 2025, houve expansão em sete das dez grandes atividades econômicas, com destaque para informação e comunicação (+89 mil postos) e administração pública (+85 mil). O segmento de outros serviços registrou o maior crescimento percentual (+21,8%, ou +61 mil pessoas), totalizando 341 mil ocupados.
Predominam homens (60%), pessoas de 40 a 59 anos (40%), pardos (54%) e com ensino médio completo (40%). A indústria, que demanda mais qualificação, apresentou saldo negativo.
Em Salvador, a taxa de desocupação caiu para 8,9% em 2025, menor da série histórica e a quinta melhor entre capitais. Na Região Metropolitana de Salvador (RMS), o índice foi de 10,1%, ainda o mais alto entre as 21 regiões metropolitanas do país. O rendimento médio em Salvador alcançou R$ 3.133 (alta de 10,7% ante 2024), mas segue como o segundo mais baixo entre capitais. Na RMS, foi de R$ 2.945 (aumento de 5,4%), também o segundo menor entre regiões metropolitanas.
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