A brasileira Mary Hellen Coelho Silva, natural de Pouso Alegre (MG), regressou ao país após cumprir a pena por tráfico internacional de drogas na Tailândia. A confirmação foi dada pela advogada Kaelly Cavoli Moreira, responsável pelo caso. A data precisa da chegada não foi divulgada.
Segundo a defesa, a jovem recomeça a vida ao lado da família depois de ter perdido a mãe e o avô enquanto esteve presa. A equipe jurídica prestou suporte durante o período de detenção, mas relatou dificuldades no relacionamento com a Embaixada do Brasil. “Ela respondeu ao processo de forma adequada na Tailândia. Fizemos tudo o que podíamos para apoiar a Mary Hellen durante o período e fornecemos todo o suporte possível. Enfrentamos muitas dificuldades geradas pela própria embaixada brasileira, que dificultou o acesso e falhou na prestação de suporte”, declarou a advogada.
Procurado, o Ministério das Relações Exteriores informou que, por meio da Embaixada em Bangkok, tomou conhecimento do caso em 2022 e prestou assistência consular. O atendimento ocorre a partir do contato do próprio cidadão ou de familiares, e a atuação segue as legislações nacional e internacional. O Itamaraty ressaltou que, em respeito à privacidade e em cumprimento à Lei de Acesso à Informação, não divulga dados pessoais nem detalhes da assistência prestada.
Em abril deste ano, a defesa já havia apontado obstáculos para obter informações atualizadas. O contato com Mary Hellen era praticamente inexistente desde o início de 2026. Anteriormente, as comunicações ocorriam por chamadas de vídeo intermediadas pela embaixada, suporte que teria sido interrompido. “Desde o início do ano, a Embaixada tem se recusado a prestar até mesmo os serviços mais simples de assistência consular. Essa postura tem inviabilizado o contato direto e o repasse de informações essenciais tanto para a defesa quanto para os familiares, configurando um verdadeiro cenário de abandono do cidadão brasileiro detido em jurisdição estrangeira”, afirmou a advogada na época. Dificuldades com o idioma, diferenças nos sistemas jurídicos e fuso horário também foram citadas. A equipe buscava alternativas, inclusive a contratação de um advogado local.
Mary Hellen foi presa em fevereiro de 2022 no aeroporto de Bangkok junto com outro brasileiro, transportando 9 kg de cocaína escondidos em compartimentos ocultos de malas. Um terceiro suspeito foi detido horas depois com mais 6 kg. Em 8 de maio de 2022, a Justiça tailandesa a condenou a 9 anos e 6 meses de prisão, sendo 2 anos por crime civil e 7 anos e 6 meses por crime penal. A defesa informou que ela se declarou culpada e admitiu ter atuado como “mula”. Posteriormente, obteve o perdão da multa de 750 mil bahts (cerca de R$ 105 mil) e redução da pena para 7 anos e 6 meses, além de benefícios por bom comportamento. O último contato registrado havia ocorrido em novembro de 2025, quando já havia redução significativa e um pedido protocolado em dezembro aguardava análise. A expectativa era de conclusão da pena no primeiro semestre de 2026.
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