Uma rede criminosa que envolvia policiais penais permitia a entrada sistemática de celulares, drogas e armas em unidades prisionais da Bahia, beneficiando principalmente o Comando Vermelho (CV) e o Comando da Paz (CP). A denúncia do Ministério Público estadual e a sentença da Operação Sísifo revelam detalhes de como o grupo atuava no Conjunto Penal de Feira de Santana.
De acordo com as investigações, lideranças internas das facções contratavam os serviços dos agentes para receber os materiais ilícitos. O esquema incluía o uso de diferentes métodos, como entrega noturna por cordas, ocultação em recipientes de comida e até aproveitamento de atendimentos médicos para introduzir aparelhos pequenos.
Nomes como Nestor Sales do Nascimento (o “Químico”), David Aparecido Pinheiro da Silva e Genivaldo Reis dos Santos (Moá) aparecem como os principais articuladores e compradores dentro do presídio. Eles controlavam a distribuição e revenda dos produtos, alcançando lucros altos — um celular comprado fora podia ser comercializado por até R$ 5 mil no interior da unidade.
Os pagamentos eram feitos por familiares ou intermediários via Pix e contas laranjas, com parte do dinheiro lavado por meio de uma empresa de fachada e convertido em bens como fazendas e gado. Entre 2019 e 2023, as apreensões no local superaram mil aparelhos celulares e grande quantidade de entorpecentes.
A Operação Sísifo, deflagrada em 2024, resultou em mandados de busca, afastamento de servidores e denúncia contra 14 pessoas por crimes como corrupção, tráfico e lavagem de dinheiro. O objetivo foi desarticular a organização que corrompia o sistema prisional baiano.
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