O dólar comercial fechou abaixo de R$ 5,00 pela primeira vez em mais de dois anos. Na segunda-feira, 13 de abril de 2026, a moeda encerrou o dia cotada a R$ 4,996 na venda, com recuo de 0,29%.
Na manhã de terça-feira, 14 de abril, o dólar comercial operava em baixa de 0,29%, com cotação de compra a R$ 4,982 e venda a R$ 4,983. O dólar futuro para maio cedia 0,42%, negociado a R$ 4,998 na B3.
A queda foi impulsionada por apostas de uma solução diplomática no conflito entre Estados Unidos e Irã. Negociações entre as partes estavam em andamento, com o vice-presidente americano JD Vance mencionando expectativa de progressos do Irã quanto à abertura do Estreito de Ormuz, apesar do Golfo Pérsico permanecer fechado para comércio de energia.
A fraqueza global do dólar beneficiou moedas emergentes, incluindo o real. Houve reprecificação de risco com leitura mais positiva para o Brasil, especialmente em relação a juros e fluxo de capital. A percepção de que o pior do conflito no Oriente Médio já havia passado contribuiu para o movimento, junto à continuidade da desvalorização da moeda americana frente a outras divisas.
Analistas indicaram que, na ausência de notícias desfavoráveis, o dólar poderia se aproximar de R$ 4,97 ainda na terça-feira. A consolidação do patamar dependeria de melhora na inflação, na curva de juros e no ambiente externo. O Goldman Sachs destacou que, após o alívio inicial no risco, os termos de troca teriam papel mais relevante no apetite por divisas emergentes, com o real e o peso mexicano tendo desempenho relativo superior em cenário de apetite ao risco e preços de energia elevados.
Setores ligados ao ciclo doméstico, como varejo, consumo e logística, podem se beneficiar com juros mais baixos e renda estável. Ações mais ligadas à economia interna tendem a ganhar espaço em eventual recomposição de portfólios. Empresas como Assaí (ASAI3) foram citadas como beneficiadas pela melhora gradual da renda e juros mais baixos. Blue chips continuaram relevantes, mas deixaram de ser o único porto seguro, dividindo espaço com companhias domésticas, enquanto exportadoras ou dolarizadas podem perder tração relativa no curto prazo.
A cotação do dólar acumula queda expressiva em 2026, chegando ao menor patamar em mais de dois anos. O movimento reflete combinação de fatores internos e externos, com o real fortalecido ante a moeda americana.
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