Nem a Casa Branca nem o presidente Donald Trump fizeram qualquer publicação ou compartilharam imagens do encontro com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ocorrido na terça-feira (26) no Salão Oval. O silêncio contrasta com o padrão adotado pelo republicano em reuniões semelhantes com candidatos à Presidência de outras nações.
Em 2025, por exemplo, quando Trump recebeu o então candidato polonês Karol Nawrocki, a conta oficial da Casa Branca no X publicou duas fotos do momento. No Truth Social, o presidente americano também costuma postar mensagens de apoio explícito a aliados políticos no exterior. Um caso foi o hondurenho Tito Asfura, a quem Trump defendeu publicamente uma semana antes da eleição, afirmando que só ele poderia combater os “narcocomunistas” e que os Estados Unidos dariam forte respaldo caso vencesse.
Da mesma forma, antes das eleições na Hungria, Trump publicou um texto enfático pedindo votos para Viktor Orbán, a quem chamou de “verdadeiro amigo”, “lutador” e “vencedor”, oferecendo “apoio completo e total”.
O governo brasileiro avalia que a falta de divulgação sobre o encontro de Flávio, que durou cerca de uma hora e quarenta minutos na Casa Branca, mas com tempo reduzido na conversa direta com Trump, reflete uma postura cautelosa da administração americana. A intenção seria evitar mal-estar com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem Trump se reuniu há três semanas. Na ocasião, o republicano elogiou Lula como “dinâmico” e classificou o diálogo como “muito produtivo” em publicação na Truth Social.
Flávio Bolsonaro ainda tem agenda nesta quarta-feira (27) no Departamento de Estado, considerado um ambiente mais alinhado aos bolsonaristas. Assessores como Darren Beattie e Ricardo Pita, próximos da família Bolsonaro, defendem medidas como a designação de PCC e CV como organizações terroristas, posição rejeitada pelo governo Lula.
O Planalto aguarda para os próximos dias o resultado da investigação da Seção 301, que pode levar a novas tarifas sobre produtos brasileiros. Durante o encontro com Trump, Lula propôs a criação de um grupo de trabalho bilateral de um mês para tratar do assunto. Auxiliares do presidente brasileiro acreditam que Flávio e o deputado Eduardo Bolsonaro podem usar os contatos em Washington para pressionar pela imposição de taxas, como ocorreu em julho do ano passado, quando Trump elevou tarifas citando suposta perseguição a Jair Bolsonaro — medida que, na ocasião, elevou a popularidade de Lula.
A foto do encontro no Salão Oval foi divulgada apenas pelo próprio Flávio Bolsonaro em suas redes sociais. Até o momento, não houve manifestação oficial da Casa Branca sobre a visita do senador.
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