O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a dívida pública bruta do Brasil atingirá 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, primeiro ano do mandato que sucederá o atual governo. A projeção faz parte do relatório Monitor Fiscal divulgado nesta quarta-feira (15 de abril de 2026), durante as reuniões de primavera da instituição em Washington.
De acordo com o documento, a dívida deve fechar 2026 em 96,5% do PIB, o maior patamar desde 2020, quando alcançou 96% em razão das medidas de enfrentamento à pandemia de covid-19. A trajetória de alta vem se acentuando desde 2023 e representa uma deterioração de 12,6 pontos percentuais ao longo da gestão atual, contra melhora de menos de 1 ponto na administração anterior.
As novas estimativas do FMI são mais pessimistas que as divulgadas em outubro de 2025, quando o organismo projetava que o endividamento chegaria a 98,1% apenas em 2030. Agora, a dívida deve alcançar 105,5% em 2030 e 106,5% em 2031.
O indicador calculado pelo FMI considera a dívida bruta, incluindo títulos públicos em poder do Banco Central, para permitir comparação internacional. Esse índice é acompanhado de perto por investidores e agências de classificação de risco como medida de solvência fiscal.
Para o resultado primário, o FMI descarta superávit em 2026 e projeta déficit de 0,5% do PIB, contra meta oficial de zero com margem de tolerância de 0,25 ponto. Em 2027, o déficit primário deve ficar em 0,4% do PIB. O retorno ao superávit só é esperado em 2028, com 0,1%, melhorando gradualmente até 0,6% em 2031.
Desde o último superávit primário registrado em 2022 (impulsionado por receitas extraordinárias como a privatização da Eletrobras e a PEC dos Precatórios), o país acumulará cinco anos consecutivos de contas no vermelho, caso as projeções se confirmem.
O FMI reconhece que a partir de 2027 pode haver uma trajetória fiscal mais favorável, mas mantém ceticismo em relação às metas de curto prazo. Analistas apontam que temores de aumento de gastos públicos em 2026, por causa do calendário eleitoral, contribuem para o cenário mais adverso.
A dívida pública global, segundo o relatório, deve atingir 100% do PIB em 2029, um ano antes do previsto anteriormente. O Brasil chegaria a esse patamar antes da média mundial.
A indicação de Dario Durigan como possível sucessor de Fernando Haddad no Ministério da Fazenda foi interpretada por parte do mercado como um sinal de contenção de gastos. Durigan mencionou debates internos na bancada do PT sobre projetos com impacto fiscal.
O círculo vicioso de dívida elevada, juros altos e crescimento limitado continua sendo um ponto de atenção para a economia brasileira. As projeções do FMI levam em conta também riscos externos, como os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre custos globais e crescimento.
As contas públicas brasileiras seguem sob observação rigorosa, e o relatório reforça a importância de medidas consistentes para conter o avanço do endividamento nos próximos anos.
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