O CEO da Latam Brasil, Jerome Jacques Cadier, alertou que a aprovação do fim da escala 6x1 no Congresso Nacional pode eliminar as operações de voos internacionais no país. A declaração foi feita na terça-feira (5 de maio de 2026), durante entrevista sobre os resultados do primeiro trimestre da companhia.
Segundo o executivo, a inclusão de pilotos e comissários de bordo nas novas regras de jornada impediria a realização de voos com duração superior a oito horas. Como a maioria das rotas internacionais ultrapassa esse tempo, a medida representaria o fim dessas operações no Brasil.
Cadier defendeu que os aeronautas sejam excluídos das alterações em discussão. “Alguns projetos incluem até tripulantes e pilotos nas mudanças da escala de trabalho. Isso não faz sentido. Se implementado, o Brasil não terá mais operação internacional, pois não poderemos operar voos de mais de oito horas”, afirmou.
Dados da Abesata (Associação Brasileira das Empresas de Serviços Auxiliares de Transporte Aéreo) revelam que 53,2% dos trabalhadores formalizados do setor aéreo atuam na escala 6x1. A entidade estima que a adoção do modelo 5x2 em operações contínuas elevaria os custos do setor em pelo menos 20%.
A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), autora de uma das propostas de redução da jornada, rebateu as críticas. Em publicação nas redes sociais, ironizou a posição da empresa ao comparar com a França, que adota jornada semanal de 35 horas. “É por isso que nunca vimos um francês fora da França. Tenham vergonha na cara!”, escreveu.
A discussão sobre o fim da escala 6x1 é uma das prioridades do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2026. A proposta mantém os salários integrais e deve beneficiar cerca de 37 milhões de trabalhadores.
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