O Conselho da Paz proposto por Trump gera debates internacionais

Trump lança iniciativa para promover paz global, mas preocupa pela possível sobreposição com a ONU
Por: Brado Jornal 22.jan.2026 às 10h10
O Conselho da Paz proposto por Trump gera debates internacionais
Anadolu/Getty Images
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a formação do Conselho da Paz (também chamado de Board of Peace em fontes internacionais), uma nova estrutura internacional destinada a mediar e resolver conflitos ao redor do mundo. Inicialmente idealizado para supervisionar a reconstrução e a transição em Gaza após o cessar-fogo, o grupo ganhou escopo mais amplo, abrangendo outros cenários de tensão global.

A proposta surgiu em setembro de 2025, quando Trump revelou seu plano para encerrar o conflito em Gaza. Desde então, o conselho foi expandido para atuar em "funções de consolidação da paz em conformidade com o direito internacional", conforme descrito na minuta da carta constitutiva obtida por agências como Reuters e CNN.

Trump presidirá o conselho de forma indefinida, podendo permanecer no cargo mesmo após o fim de seu segundo mandato presidencial. Ele só deixaria a posição por "renúncia voluntária ou incapacidade, conforme determinado por voto unânime do Conselho Executivo". Um representante americano futuro poderia ser nomeado separadamente.

O Conselho Executivo fundador inclui figuras como o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial Steve Witkoff, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair e Jared Kushner, genro de Trump.

A autoridade do grupo ainda não está totalmente definida, incluindo seu poder legal, mecanismos de execução e relação exata com a ONU e outras entidades internacionais. O estatuto concede ao presidente amplos poderes executivos, como vetar decisões e remover membros, com certas limitações.

Trump chegou a afirmar que o conselho "poderia" substituir a ONU, o que intensificou críticas de diplomatas e especialistas, que veem risco de enfraquecimento do sistema multilateral estabelecido há décadas. Recentemente, em Davos, ele afirmou querer que o conselho atue "in conjunction" com a ONU, apesar das críticas à organização.

Para adesão, o documento prevê mandatos de três anos, prorrogáveis mediante pagamento de US$ 1 bilhão para assento permanente valor que, segundo fontes do governo americano, seria opcional e não obrigatório para participação básica.

Cerca de 35 países, de um total aproximado de 50 convidados, já aceitaram integrar o conselho. Entre eles estão Israel, Arábia Saudita, Egito, Turquia, Hungria, Paraguai, Vietnã e Belarus (este último com histórico de tensões com o Ocidente). Líderes como Alexander Lukashenko, da Belarus, aderiram, marcando aproximação com Washington.

Trump confirmou convite ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, destacando expectativa de "grande papel" para o Brasil e expressando apreço pessoal. No entanto, o governo brasileiro resiste, avaliando que a estrutura concentra poder excessivo nas mãos do presidente americano.

Rússia e China receberam convites, mas ainda não responderam oficialmente. Há relatos de que Vladimir Putin teria aceitado, segundo declarações de Trump, embora o Kremlin indique que analisa a proposta com condições, como uso de ativos congelados para pagamento.

A iniciativa foi oficialmente lançada em cerimônia no Fórum Econômico Mundial em Davos, em 22 de janeiro de 2026, com presença de alguns líderes, mas adesão limitada entre aliados tradicionais ocidentais, que demonstram cautela ou rejeição.

Paralelamente, foi criado um Conselho Executivo específico para Gaza, visando apoiar uma administração palestina de transição, com sobreposição de membros e funções ainda não claras na prática.


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