Federação Alemã nega apoio à reeleição de Infantino após controvérsia na Copa

Entidade europeia se distancia do presidente da Fifa em meio a desgaste provocado por interferência política e suspensão revertida de jogador americano
Por: Brado Redação 15.jul.2026 às 15h10
Federação Alemã nega apoio à reeleição de Infantino após controvérsia na Copa
Foto: REUTERS/Leah Millis

A Federação Alemã de Futebol (DFB) decidiu não endossar a candidatura de Gianni Infantino para continuar no comando da Fifa. A recusa veio após forte repercussão negativa de um episódio ocorrido durante a Copa do Mundo de 2026, que envolveu o atacante Folarin Balogun, da seleção dos Estados Unidos, e uma suposta influência do presidente Donald Trump.

De acordo com informações do jornal alemão Bild, o presidente da DFB, Bernd Neuendorf, optou por não assinar uma carta de apoio à reeleição do suíço. O documento circulou entre as federações europeias participantes do torneio, com o objetivo de reforçar a permanência de Infantino no cargo no Congresso da entidade previsto para março de 2027, em Rabat, no Marrocos.

O caso que gerou o mal-estar começou com a expulsão de Balogun por cartão vermelho em uma partida. Pouco tempo depois, a punição foi anulada. Relatos indicam que a reversão ocorreu na sequência de um contato direto entre Trump e Infantino. A decisão arbitral gerou debates intensos sobre interferência externa no futebol, especialmente porque o mandatário norte-americano admitiu ter pedido a revisão da marcação.

Essa situação ampliou o desconforto entre a entidade alemã e a cúpula da Fifa. Enquanto várias confederações do continente europeu inicialmente aderiram à carta de apoio, algumas delas teriam manifestado arrependimento após o episódio ganhar visibilidade.

Apesar da resistência de parte da Europa, a posição de Infantino ainda conta com respaldo sólido de outras regiões. Federações da África, Ásia e América do Sul já se posicionaram a favor da continuidade dele no poder.

O desgaste não se limitou ao âmbito interno da Fifa. O dirigente também enfrenta questionamentos no Comitê Olímpico Internacional (COI), do qual faz parte por ocupar a presidência da entidade máxima do futebol. Uma organização britânica de direitos humanos, a FairSquare, protocolou uma denúncia alegando violação das regras de neutralidade política. Entre os pontos citados estão a homenagem concedida pela Fifa a Trump e a participação de Infantino em um conselho de paz idealizado pelo presidente americano, iniciativa que não recebe reconhecimento da maioria dos líderes europeus.

A pressão externa e as críticas sobre proximidade com figuras políticas têm colocado Infantino em uma posição delicada, mesmo com o apoio majoritário de grandes confederações. A DFB, uma das mais tradicionais do futebol mundial, sinaliza com sua postura um desejo de maior independência e respeito aos princípios do esporte.

O episódio reforça o debate sobre os limites entre política e futebol, especialmente em um momento sensível como o de uma Copa do Mundo. A entidade alemã, conhecida por sua rigidez ética, optou por marcar posição ao evitar qualquer sinal de endosso a um processo de reeleição que, para ela, carrega controvérsias recentes demais.

Com o torneio ainda em andamento ou recém-concluído, o caso Balogun serviu como catalisador para que vozes críticas dentro da Europa ganhassem força. A recusa alemã, embora isolada por enquanto, pode indicar um caminho para outras federações que priorizam a autonomia das competições em relação a influências externas.

Infantino, que já acumula anos à frente da Fifa, vê agora seu projeto de continuidade confrontado com desafios que vão além dos campos. A combinação de fatores — da reversão de uma suspensão polêmica até acusações formais no COI — cria um cenário de maior escrutínio sobre sua gestão.

A DFB, por sua vez, reforça sua imagem de guardiã de valores tradicionais do esporte ao se manter à margem da campanha de apoio. Essa decisão, tomada em meio a um contexto de intensa repercussão midiática, destaca as tensões internas que marcam o futebol internacional atualmente.

O desdobramento do caso ainda pode gerar novos capítulos, especialmente se outras entidades europeias seguirem o exemplo alemão ou se as investigações no âmbito olímpico avançarem. Por ora, a mensagem da federação germânica é clara: o apoio não será concedido de forma automática, independentemente da tradição ou do poder consolidado de quem ocupa a cadeira principal da Fifa.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Fisiculturista Mailson Araújo, de 35 anos, morre após passar mal em Alagoinhas, na Bahia
Atleta baiano com mais de 30 mil seguidores nas redes publicou treino horas antes de passar mal e não resistir
Master consultou escritório ligado à família Moraes sobre captação de recursos previdenciários
Parecer jurídico apontava viabilidade, mas destacava riscos de corrupção em operações com fundos de servidores.
Pagamento de US$ 6 milhões expõe problemas na federação argentina
Suspeitas surgem antes de duelo importante, mas federação nega irregularidades
Janja manifesta solidariedade a Michelle e Damares após ataques
Primeira-dama defende que misoginia deve ser combatida em todos os campos ideológicos
PRTB lança Leonardo Avalanche como pré-candidato à Presidência
Presidente nacional da legenda retorna com candidatura própria após mais de uma década, em meio a controvérsias envolvendo supostas ligações criminosas e fraudes internas
Neymar decide cumprir contrato com o Santos até dezembro
Jogador permanecerá no clube até o fim do vínculo atual
Carregando..