O fundo Arleen Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, administrado pela Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, encerrou suas atividades e transferiu todos os seus ativos, avaliados em R$ 33,9 milhões, para uma offshore sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, um conhecido paraíso fiscal.
A operação, registrada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em dezembro de 2025, ocorreu um mês após o fundo decidir aumentar o valor de suas cotas em quase 45.000%, fixando o preço unitário em R$ 679,13.
O Arleen está ligado à família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), por ter investido R$ 20 milhões na compra de ações do resort Tayayá, no Paraná, em setembro de 2021.
Na ocasião, o fundo adquiriu metade da participação dos irmãos do ministro, José Eugenio e José Carlos Dias Toffoli, avaliada em R$ 6,6 milhões.
O empreendimento também envolve um primo do magistrado. Os familiares de Toffoli venderam suas cotas em 2025 para o advogado Paulo Humberto Barbosa, que se tornou o único sócio do resort.
A Reag, gestora do Arleen, é investigada na Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Polícia Federal, por suposta lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).
A operação apura o uso de fundos da Reag para aquisição de usinas, postos de gasolina e imóveis pessoais por controladores das distribuidoras Copape e Aster, ligados à facção.
Silvano Gersztel, ex-executivo da Reag e representante do Arleen na transação do Tayayá, também é alvo das investigações.
Ele deixou os cargos de diretor-presidente e financeiro da empresa em janeiro de 2026, em meio a uma reestruturação após a aquisição pela Planner.
Além disso, a Reag é citada no escândalo do Banco Master, sob investigação no STF com relatoria do próprio Toffoli. O Banco Central liquidou extrajudicialmente a Reag em janeiro de 2026, alegando "graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional". A gestora cresceu exponencialmente entre 2020 e 2025, multiplicando o patrimônio sob gestão de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões, mas acumula suspeitas de irregularidades financeiras.
A transferência dos ativos do Arleen para a offshore, cujos proprietários não são conhecidos, ocorreu em 4 de dezembro de 2025, após o aumento das cotas.
Representantes do fundo e familiares de Toffoli não responderam a pedidos de comentário sobre a operação.
O episódio reforça questionamentos sobre transparência em fundos de investimento e possíveis conflitos de interesse, especialmente em casos que envolvem figuras do Judiciário.A PGR e o TCU não se manifestaram sobre eventuais apurações relacionadas à transação.
O caso do Banco Master e da Reag continua sob sigilo no STF, com investigações em andamento sobre fraudes bilionárias e lavagem de dinheiro.
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