Após quatro adiamentos sucessivos, a Corte de Apelação de Roma, na Itália, deve analisar nesta terça-feira (10 de fevereiro de 2026) o pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) ao Brasil. A decisão cabe à Justiça italiana, uma vez que a parlamentar possui cidadania italiana por descendência.
Zambelli foi presa preventivamente em Roma no dia 29 de julho de 2025, em operação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e autoridades locais, após deixar o país em meio a condenações transitadas em julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na primeira sentença, proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, ela recebeu dez anos de reclusão por invasão hacker ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em conluio com o hacker Walter Delgatti Neto, que inseriu documentos falsos, incluindo um suposto mandado de prisão contra o próprio ministro. A segunda condenação, de cinco anos e três meses em regime inicial semiaberto, refere-se a porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal durante episódio em 2022, quando ela apareceu em vídeo empunhando uma pistola e perseguindo um homem negro em São Paulo, alegando ter sido agredida.
O mandato parlamentar foi cassado pelo STF em dezembro de 2025, e Zambelli entregou carta de renúncia à Câmara dos Deputados dias depois. Desde a prisão, ela permanece na penitenciária de Rebibbia, na capital italiana.
A defesa, representada pelo advogado italiano Fabio Pagnozzi, expressa “boa expectativa” quanto ao desfecho. Pagnozzi destacou a atuação do senador italiano Matteo Gelmetti (aliado da primeira-ministra Giorgia Meloni), que pressiona o Ministério da Justiça italiano contra a extradição. Gelmetti critica o processo brasileiro, descrevendo-o como julgado por um ministro que seria “relator, vítima e acusador” (referência a Moraes), e questiona como o deputado Angelo Bonelli (Partido Verde, oposição) obteve o endereço de Zambelli em Roma para repassá-lo à polícia, fato que, segundo Pagnozzi, “muda muito” o cenário.
Bonelli confirmou em julho de 2025, via rede social, ter fornecido o endereço às autoridades italianas, o que facilitou a localização e prisão imediata. A defesa também solicitou anteriormente a substituição dos juízes do caso, alegando falta de imparcialidade, o que contribuiu para os adiamentos anteriores.
O adido da Polícia Federal na embaixada brasileira em Roma colaborou na operação de captura. Caso aprovada a extradição, Zambelli retornaria ao Brasil para cumprir as penas. A análise italiana considera aspectos como a dupla cidadania, garantias processuais e condições prisionais no país de origem. O ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, possui prerrogativa para decidir unilateralmente sobre o tema, sem necessidade de justificativa formal, conforme apontado pela defesa.
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