Desembargador enfrenta acusações de abuso após decisão em caso de estupro de vulnerável

Magid Nauef Láuar votou pela absolvição de homem de 35 anos condenado por relação com menina de 12 anos e agora é alvo de denúncias de vítimas
Por: Brado Jornal 24.fev.2026 às 05h57 - Atualizado: 24.fev.2026 às 05h57
Desembargador enfrenta acusações de abuso após decisão em caso de estupro de vulnerável
Foto: Anamages/Reprodução
O desembargador Magid Nauef Láuar, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), é acusado de abuso sexual contra o próprio sobrinho, que tinha 14 anos na época dos fatos, e contra outra vítima que também era adolescente quando os atos ocorreram.
As denúncias surgiram após a repercussão de uma decisão judicial na qual Láuar atuou como relator e votou pela absolvição de um homem de 35 anos condenado em primeira instância por estupro de vulnerável contra uma menina de 12 anos.

O caso julgado pela 9ª Câmara Criminal do TJMG envolveu Paulo Edson Martins do Nascimento, que mantinha uma relação com a menina em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. A relação era descrita como análoga ao matrimônio e ocorria com o conhecimento e a aquiescência da família da vítima.
Em novembro de 2025, a 1ª Vara Criminal e da Infância e da Juventude da Comarca de Araguari condenou o homem a nove anos e quatro meses de prisão e a mãe da menina por conivência.

Na apelação, decidida em fevereiro de 2026, a câmara absolveu ambos por maioria de votos. Láuar, como relator, argumentou que o relacionamento não decorreu de violência, coação, fraude ou constrangimento, mas de um vínculo afetivo consensual, vivenciado abertamente. O voto foi acompanhado pelo desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo, enquanto a desembargadora Kárin Emmerich divergiu, defendendo a manutenção da condenação.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) recorreu da decisão. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) instaurou um pedido de providências para apurar a conduta do TJMG e de Láuar, determinando que prestem informações em cinco dias.
Deputadas estaduais e federais, incluindo Bella Gonçalves e Duda Salabert, protocolaram reclamações disciplinares no CNJ, pedindo o afastamento cautelar do desembargador.

O TJMG confirmou o recebimento de uma denúncia de abuso sexual contra Láuar e abriu um procedimento administrativo para apuração. O CNJ planeja ouvir pelo menos duas vítimas na investigação. Láuar está aposentado por invalidez pela Universidade Federal de Ouro Preto desde 2013, mas continua exercendo suas funções no tribunal. 


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