A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, irmã da ex-vereadora Marielle Franco, afirmou que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) serve como mensagem firme contra aqueles que zombaram das vítimas e da luta por justiça ao longo dos anos.
A Primeira Turma do STF condenou por unanimidade os irmãos Domingos Brazão (conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro) e Chiquinho Brazão (ex-deputado federal) a 76 anos e três meses de prisão cada um. Eles foram apontados como mandantes do duplo homicídio qualificado de Marielle Franco e Anderson Gomes, além de tentativa de homicídio contra a assessora Fernanda Chaves (que sobreviveu ao atentado) e integração em organização criminosa armada. Os outros réus também receberam penas que variam de 9 a 56 anos, com suspensão de direitos políticos, perda de cargos públicos e pagamento de indenizações por danos morais no valor total de R$ 7 milhões às famílias e à sobrevivente.
Familiares de Marielle e de Anderson acompanharam o julgamento presencialmente no plenário. Anielle Franco destacou o impacto da sentença para quem minimizou o crime: “Isso [condenação] é também um recado para uma parcela da sociedade que debochou da morte da minha irmã. Uma parcela da sociedade, que, em todo ano eleitoral, traz minha irmã como um elemento descartável, sendo apenas mais uma, ou como falavam, mimimi sobre Marielle Franco".
Marinete Silva, mãe de Marielle, descreveu o momento como histórico e aliviador: “É um alívio, porque a pergunta que ecoava no mundo era: quem mandou matar Marielle? Hoje, sabemos. A gente sai daqui com a cabeça erguida".
O pai Antonio Francisco passou mal durante a sessão com pico de pressão arterial, mas após atendimento médico falou à imprensa: “foram quase oito anos de angústia” até a condenação dos envolvidos.
Agatha Reis, viúva de Anderson Gomes, expressou esperança de que o resultado inspire outros casos pendentes: "Ainda há esperança, ainda há quem faça o bem. O mal não vai sobreviver. Hoje foi prova disso".
Fernanda Chaves, sobrevivente do atentado e ex-assessora de Marielle, classificou a decisão como marco no enfrentamento à violência política de gênero: "O Estado brasileiro passa o recado de que crimes como esse, o feminicídio político não é tolerável. O Brasil responde ao mundo uma pergunta que a gente passou se fazendo por oito anos, quase uma década. É muito tempo”.
O crime ocorreu em março de 2018, no Rio de Janeiro, e a investigação revelou ligações com milícias e retaliação à atuação política de Marielle contra grupos criminosos. O julgamento, iniciado em 24/02/2026, foi concluído no dia seguinte, marcando um capítulo importante na busca por justiça após anos de debates nacionais e internacionais.
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