Empresário delator devolve R$ 400 milhões ao INSS

Empresário Maurício Camisotti, primeiro a fechar colaboração premiada nas investigações de fraudes em descontos associativos do Instituto Nacional do Seguro Social, comprometeu-se a restituir cerca de R$ 400 milhões aos cofres públicos.
Por: Brado Jornal 17.abr.2026 às 09h19
Empresário delator devolve R$ 400 milhões ao INSS
Reprodução / Instagram /@mauriciocamisott
O valor, superior aos R$ 200 milhões que ele próprio admite ter obtido com o esquema, inclui correções monetárias e multas. Os recursos serão direcionados ao erário e às vítimas, ou seja, aposentados e pensionistas prejudicados pelas cobranças irregulares.

O ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, avaliou preliminarmente os termos da proposta e os encaminhou para análise da Procuradoria-Geral da República antes de decidir sobre a homologação. A PGR, comandada por Paulo Gonet, deve se manifestar até o fim de abril, com expectativa de posicionamento por volta do dia 22.

A delação foi negociada com a Polícia Federal por meio dos advogados Celso Villardi e Átila Machado. Camisotti forneceu informações detalhadas aos investigadores há vários meses, o que o torna o primeiro delator da Operação Sem Desconto.

De acordo com a PF, ele integrava o núcleo financeiro do esquema e atuava como operador financeiro de associações que realizavam descontos em benefícios previdenciários sem o devido consentimento dos titulares. As investigações apontam para um modelo de cobrança em massa com falhas graves de transparência e controle.

Camisotti foi preso em setembro do ano passado, na mesma ação que levou à detenção de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Ambos permanecem custodiados preventivamente.

A colaboração premiada ainda gera debate institucional. Embora a Polícia Federal possa celebrar acordos de delação, a Procuradoria-Geral da República busca preservar seu papel central no processo de validação dessas negociações.

O empresário é citado em relatórios da CPMI do INSS como peça-chave na articulação entre entidades associativas e empresas que viabilizavam as cobranças irregulares nos pagamentos de aposentadorias e pensões.

Com a devolução milionária, as autoridades esperam recuperar parte significativa dos prejuízos causados aos beneficiários da Previdência Social. O acordo ainda depende de aprovação final do Supremo Tribunal Federal para produzir todos os seus efeitos.


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