Justiça do Rio bloqueia R$ 135 mi por prejuízo do Rioprevidência

Decisão determina bloqueio de até R$ 135,2 milhões de gestoras e diretores por perdas no fundo do Master
Por: Brado Redação 24.jul.2026 às 15h38
Justiça do Rio bloqueia R$ 135 mi por prejuízo do Rioprevidência
Foto: Divulgação

A Justiça do Rio de Janeiro determinou o bloqueio de até R$ 135,2 milhões da Trustee Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, da Axor Asset e dos diretores Alexandre Marchesani Canata e Felipe Mota Separovic Rodrigues. A medida, tomada nesta quinta-feira (23) pelo juiz Wladimir Hungria, da 5ª Vara da Fazenda Pública da capital fluminense, responde a ação do Estado do Rio que busca recuperar perdas do Rioprevidência em um fundo conectado ao Banco Master.

O órgão responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores estaduais aplicou R$ 150 milhões no Texas I Fia entre 4 de junho e 8 de agosto de 2025. A carteira do fundo estava quase totalmente concentrada em ações da Ambipar, que sofreram forte queda. O saldo restante ficou em cerca de R$ 14,8 milhões, gerando prejuízo estimado em R$ 135,2 milhões.

Na decisão, o magistrado acolheu alegações de que a Trustee teria realizado compra massiva e coordenada de papéis da Ambipar em nome de fundos sob sua gestão, entre eles o Texas I Fia. A gestora nega qualquer envolvimento. A oferta da carteira ao Rioprevidência teria partido da Axor Asset, conforme os autos.

A Trustee informou que deixou a administração e a gestão do fundo em outubro de 2024. Segundo a empresa, o Rioprevidência só passou a adquirir cotas a partir de junho de 2025, cerca de oito meses depois, quando a responsabilidade já era de outros prestadores. As ações da Ambipar citadas teriam sido compradas em julho de 2024, quase um ano antes da entrada do instituto. A instituição afirma que não vendeu cotas ao Rioprevidência, não participou da decisão de investimento e não administrava nem geria o fundo no momento dos aportes. A empresa anunciou que vai recorrer.

A Justiça também ordenou que o administrador da Master Corretora, atualmente em liquidação extrajudicial, apresente parecer de auditoria externa independente sobre o Texas I Fia no prazo de 15 dias.

O Rioprevidência é alvo de investigações da Polícia Federal por aplicações bilionárias em ativos relacionados ao Master durante o governo de Cláudio Castro (PL). O ex-governador renunciou em março e foi substituído interinamente pelo desembargador Ricardo Couto. A nova gestão tem promovido trocas de nomes e alterações na estrutura do órgão após o escândalo.



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