O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou que as ameaças de imposição de tarifas pelos Estados Unidos são “inaceitáveis” e “não têm lugar” no atual contexto geopolítico.
A declaração veio em resposta à decisão anunciada pelo presidente Donald Trump de aplicar tarifas adicionais a oito países europeus, incluindo Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia, caso não apoiem sua pretensão de anexar ou adquirir a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.
Em postagem na rede social X, Macron enfatizou: “A França está comprometida com a soberania e a independência das nações, na Europa e em qualquer outro lugar”. Ele acrescentou: “As ameaças tarifárias são inaceitáveis e não têm lugar neste contexto.
Os europeus responderão de forma unida e coordenada caso sejam confirmadas. Nós vamos garantir que a soberania europeia seja respeitada”.
O líder francês destacou ainda que “nenhuma intimidação ou ameaça nos influenciará, nem na Ucrânia, nem na Groenlândia, nem em qualquer outro lugar do mundo quando nos depararmos com tais situações”. Ele justificou a participação da França em exercícios militares organizados pela Dinamarca na Groenlândia como uma defesa dos princípios de soberania, independência nacional e compromisso com a Carta das Nações Unidas, afirmando: “Assumimos plenamente esta decisão, porque a segurança está em jogo no Ártico e nas regiões mais remotas da nossa Europa”.
O anúncio de Trump prevê tarifas de 10% adicionais (além de eventuais 15% já em vigor sobre exportações europeias), com início previsto para 1º de fevereiro de 2026, condicionadas à conclusão de um “acordo completo e total” para a aquisição da ilha.
A medida surge em meio a tensões crescentes no Ártico, região estratégica por recursos naturais e rotas marítimas, e após o envio recente de contingentes militares simbólicos de vários países europeus para Nuuk, capital da Groenlândia, em apoio à Dinamarca e à Otan.
A reação de Macron reflete um endurecimento coletivo entre aliados europeus, que veem as tarifas como instrumento de chantagem para forçar alinhamento à agenda americana.
Outros líderes, como o primeiro-ministro sueco Ulf Kristersson, também criticaram a abordagem, afirmando que a União Europeia não se deixará “chantagear”.
A União Europeia prepara-se para discutir respostas coordenadas, possivelmente incluindo contramedidas comerciais, para proteger interesses econômicos e soberania.
O episódio intensifica o atrito transatlântico no início do segundo mandato de Trump, contrastando com a tradicional aliança entre EUA e Europa na Otan.
Até o momento, a Casa Branca não comentou diretamente a declaração de Macron, mas o foco permanece na narrativa de Trump de que a Groenlândia enfrenta ameaças externas (como da China e Rússia) e que os EUA subsidiaram a Europa por décadas sem reciprocidade tarifária.
O caso continua a gerar debates sobre multilateralismo, comércio global e segurança no Ártico.
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