"Groenlândia Não Está à Venda": milhares protestam contra ameaças de anexação pelos EUA sob Trump

Manifestação histórica na capital Nuuk reúne milhares em defesa da soberania, enquanto Europa condena tarifas retaliatórias e pressões militares
Por: Brado Jornal 20.jan.2026 às 17h28 - Atualizado: 20.jan.2026 às 17h32
Foto: Ritzau Scanpix/Emil Helms via Reuters
Milhares de groenlandeses tomaram as ruas nevadas da capital Nuuk no último sábado (17), em uma manifestação sem precedentes contra as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de anexar a Groenlândia ao território americano.
Considerado o maior protesto da história da nação, o ato reuniu cerca de um quarto da população local, com participantes entoando slogans como "Groenlândia não está à venda" e "Mãos fora da Groenlândia", em resposta às declarações de Trump de que os EUA consideram opções, incluindo o uso de força militar, para adquirir o território autônomo dinamarquês.

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, participou ativamente da marcha, acenando a bandeira nacional e enfatizando o direito à autodeterminação. "Queremos cooperação com os Estados Unidos, mas apenas nos termos da Groenlândia", declarou Nielsen, rejeitando qualquer forma de pressão ou anexação. Protestos semelhantes ocorreram em cidades da Dinamarca continental, como Copenhague, onde manifestantes carregavam cartazes com mensagens como "Groenlândia para os groenlandeses" e condenavam o que chamam de "atitude expansionista" de Trump.

Julie Rademacher, presidente da Uagut, organização de groenlandeses na Dinamarca e uma das principais organizadoras, alertou que as ameaças de Trump representam um ataque não apenas à Groenlândia, mas à democracia e à ordem mundial.
Vídeos aéreos divulgados em redes sociais, mostram uma longa fila de manifestantes marchando pelas ruas cobertas de neve, ladeadas por edifícios coloridos típicos da região ártica.

Outras postagens no X, incluindo da Al Jazeera e da BBC, destacam o medo e a indignação dos groenlandeses, que rejeitam se tornar americanos ou dinamarqueses, insistindo em sua identidade própria.

O contexto remete à reeleição de Trump em 2024 e à sua obsessão renovada pela Groenlândia, vista como estratégica para conter influências chinesa e russa no Ártico. Trump, em postagens nas redes sociais, argumentou que a Dinamarca falhou em proteger a ilha de ameaças externas e ameaçou impor tarifas de 10% a oito nações europeias, incluindo membros da OTAN, que se opõem à transferência de controle.

Líderes europeus, em reunião emergencial em Bruxelas, condenaram as ações como "chantagem" e preparam respostas, possivelmente incluindo tarifas sobre importações americanas.

O Pentágono, no entanto, negou planos iminentes de intervenção militar, embora Nielsen não descarte completamente o risco.

A Groenlândia, com população de cerca de 60 mil habitantes, é um território semi-autônomo da Dinamarca desde 1953, mas mantém governo eleito e aspirações independentes.

Os cinco principais partidos políticos da ilha rejeitaram coletivamente as reivindicações de Trump, afirmando que apenas os groenlandeses decidem seu futuro.
A crise escalou após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos EUA, levantando temores de ações unilaterais semelhantes.

Enquanto isso, bonés com a frase "Make America Go Away" ganharam popularidade nos protestos, simbolizando a resistência local. A repercussão global inclui debates no Fórum Econômico Mundial em Davos, onde Trump evitou o tema em seu discurso, focando em outros pontos. Analistas alertam que a escalada pode abalar alianças atlânticas, com a OTAN em alerta para consequências além das fronteiras da Groenlândia. Fotos dos protestos mostram multidões determinadas em meio à neve, reforçando a unidade groenlandesa.

O mundo observa se as negociações diplomáticas prevalecerão ou se o impasse se agravará.


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