A revista britânica The Economist publicou reportagem sobre o escândalo do Banco Master, destacando como o colapso da instituição financeira expôs ligações entre políticos, empresários e o judiciário em Brasília, afetando a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.
A matéria descreve que Daniel Vorcaro, dono do banco, levava uma vida de luxo enquanto o modelo de negócio se baseava na venda de certificados de depósito bancário (CDBs) com taxas de juros elevadas, mesmo sem liquidez adequada. A saga poderia ter se limitado ao setor bancário, mas os efeitos vão além devido aos vínculos cultivados por Vorcaro com a elite brasileira. “O caso expôs ligações entre políticos, empresários e o judiciário em Brasília, prejudicando a reputação do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Congresso Nacional.
No entanto, esses laços reforçam a impressão entre os eleitores brasileiros de que a Suprema Corte do país carece de imparcialidade”, afirma a publicação.Entre os pontos centrais destacados pela Economist:
Contrato de US$ 24 milhões em três anos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, considerado “anormal” por especialistas jurídicos.
Reuniões de Moraes com Gabriel Galípolo, chefe do Banco Central, antes da liquidação; investigação aberta por Moraes sobre vazamentos relacionados.
Viagem de Dias Toffoli em jato particular com advogado do Banco Master, na mesma época em que foi sorteado para relatar o caso; investimento de mais de US$ 1 milhão no resort Tayayá, pertencente aos irmãos de Toffoli.
Atuação de políticos do Centrão, como o senador Ciro Nogueira, que tentou bloquear investigação do Congresso e apoiou projeto para demitir o presidente do Banco Central; o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que defendeu aquisição do banco pelo BRB apesar de alertas contrários.
Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, como maior doador individual da campanha de Bolsonaro em 2022 e da campanha de Tarcísio de Freitas.
Gabriel Galípolo como “único claro vencedor”, por resistir a pressões para salvar o banco e pedir maior autonomia ao Banco Central.
A reportagem enfatiza que o escândalo reforça a percepção de interferência de elites em instituições, afetando a confiança dos eleitores brasileiros na Suprema Corte e no sistema político.
O colapso do Banco Master ocorreu após liquidação decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, com Vorcaro preso preventivamente e bloqueio de bilhões em bens. O caso tramita no STF, com Toffoli como relator.A repercussão na Economist intensifica debates sobre credibilidade institucional no Brasil, em meio a investigações da Polícia Federal e questionamentos sobre imparcialidade judicial. Até o momento, o STF, a PGR e as figuras citadas não comentaram a reportagem da revista britânica.
Deixe sua opinião!
Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.
Sem comentários
Seja o primeiro a comentar nesta matéria!
Carregando...