Lockdowns energéticos se espalham pelo mundo em meio à crise global de combustível

Restrições a escolas, trabalho e transporte são adotadas em vários países para conter o racionamento de diesel e gasolina após o bloqueio do Estreito de Ormuz
Por: Carol Barbalho 19.mar.2026 às 23h08
Lockdowns energéticos se espalham pelo mundo em meio à crise global de combustível
Getty/Getty Images
Diversas nações enfrentam escassez aguda de combustíveis provocada pelo fechamento do principal corredor de exportação de petróleo do Oriente Médio. Medidas emergenciais incluem a redução de dias letivos e laborais, o fechamento temporário de instituições de ensino e a adoção obrigatória do trabalho remoto em setores públicos e privados, configurando o que autoridades e analistas descrevem como lockdowns energéticos preventivos.

Na Ásia, o Paquistão registrou o fechamento de escolas e faculdades, com vários escritórios públicos e privados migrando para o modelo home office a fim de reduzir o consumo de combustível no transporte diário. Filas quilométricas se formaram em postos de gasolina, e o governo impôs racionamento estrito para veículos particulares.
Situação semelhante ocorre no Sri Lanka, onde a semana de trabalho foi encurtada para quatro dias, as escolas adotaram horários reduzidos e operações do setor público foram dimensionadas para baixo.

No Bangladesh, universidades anteciparam férias e adotaram medidas de conservação que limitam deslocamentos desnecessários. O Vietnã reporta postos de combustível com estoques zerados em várias cidades, levando à implementação de restrições preventivas ao tráfego e ao funcionamento de serviços não essenciais.
Myanmar impôs racionamento rigoroso, interrompendo transportes coletivos e afetando diretamente a distribuição de suprimentos básicos.

Na Coreia do Sul, o governo estabeleceu tetos de preços para combustíveis domésticos pela primeira vez em quase três décadas. A China suspendeu as exportações de derivados de petróleo para priorizar o mercado interno. No Japão, reservas estratégicas foram liberadas, enquanto a Austrália enfrenta estações de serviço secas em áreas rurais e alerta para um possível cenário de paralisação parcial da atividade econômica caso a crise se prolongue.

Na Europa e nos Estados Unidos, o aumento abrupto dos preços levou a compras em pânico e ao esvaziamento de alguns postos, com governos liberando estoques de emergência e incentivando a redução do uso de veículos.
Agricultores em vários continentes relatam dificuldades para operar máquinas e irrigação, ameaçando a produção de alimentos.

As restrições, embora temporárias, visam preservar os estoques restantes e evitar colapso total no abastecimento de diesel e gasolina, afetando diretamente mobilidade urbana, logística e cadeias produtivas em escala global. 


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