Polícia Urgente

'Sicário' morre após tentativa de suicídio na prisão em Belo Horizonte

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, preso na Operação Compliance Zero ligada a Daniel Vorcaro, não resistiu apesar de reanimação e socorro hospitalar; PF confirma suicídio
Por: Brado Jornal 04.mar.2026 às 21h29
'Sicário' morre após tentativa de suicídio na prisão em Belo Horizonte
Reprodução
Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de “Sicário” ou “Mexerica”, faleceu na noite desta quarta-feira (4) em Belo Horizonte. Ele havia sido detido pela manhã durante a terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal para investigar supostas fraudes financeiras bilionárias e ações de intimidação associadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.

Segundo nota oficial da PF, Mourão atentou contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência Regional do órgão em Minas Gerais. Agentes da corporação realizaram imediatamente procedimentos de reanimação ao encontrá-lo desacordado na cela. Em seguida, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) o transportou ao Hospital João XXIII, no centro da capital mineira, mas ele não resistiu e teve a morte encefálica confirmada.

A Polícia Federal informou o fato ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e se comprometeu a fornecer todos os registros em vídeo que registram a sequência dos eventos.Mourão era apontado pelos investigadores como coordenador do grupo informal denominado “A Turma”, estrutura usada para monitorar, obter dados sigilosos e intimidar pessoas vistas como adversárias dos interesses do banqueiro Vorcaro, incluindo jornalistas e ex-funcionários. De acordo com a PF, ele recebia cerca de R$ 1 milhão mensais por esses “serviços ilícitos” e acessava indevidamente sistemas restritos de instituições como a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até bases internacionais, utilizando credenciais de terceiros.

Na decisão de prisão expedida por Mendonça, constam indícios de que Vorcaro, em mensagens trocadas com Mourão, teria orientado a simulação de um assalto para agredir violentamente o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, com o intuito de silenciar críticas à imprensa. O jornal repudiou publicamente qualquer tentativa de intimidação contra seus profissionais.

A defesa de Mourão informou que ainda aguarda o boletim médico oficial do hospital para se posicionar sobre o ocorrido. Mais cedo, durante depoimento à PF, o investigado optou pelo silêncio. Ele estava previsto para passar por audiência de custódia ainda nesta quarta-feira.

Mourão já respondia a processo no Ministério Público de Minas Gerais desde 2021, acusado de crimes como lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra a economia popular, em esquema de pirâmide financeira que atraiu investidores de todo o país. Entre 2018 e 2021, movimentou R$ 28 milhões em contas ligadas a ele, segundo as apurações. Antes disso, atuava como agiota.

A Operação Compliance Zero investiga, além de fraudes em títulos de crédito, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça, corrupção e invasão de dispositivos informáticos, praticados por organização criminosa. Vorcaro e outros alvos, incluindo Fabiano Zettel e Marilson Roseno da Silva, também foram presos preventivamente na mesma fase. 


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