Uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (por meio do Gaeco), Polícia Federal e Corregedoria Geral da Polícia Civil resultou, nesta quinta-feira (5 de março de 2026), na prisão de nove pessoas e na decretação de 11 mandados de prisão preventiva. A Operação Bazaar investiga uma rede criminosa que teria transformado unidades especializadas da corporação em verdadeiros espaços de negociação ilícita.
Os alvos incluem departamentos de destaque, como o Deic (Departamento de Investigações Criminais), o DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), o Serviço Aerotático e o 16º DP (Vila Clementino). As acusações envolvem corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, obstrução de justiça, subversão ao dever funcional e fraude processual.
Interceptações de áudios e mensagens revelam valores expressivos: uma transferência citada de R$ 33 milhões ligada a um acerto em delegacia; mais de R$ 20 milhões pagos a um delegado; e exigência de R$ 5 milhões para arquivar inquérito.
Outros repasses fracionados chegam a R$ 220 mil, R$ 100 mil e R$ 10 mil, direcionados a setores específicos.O grupo atuava para embaraçar investigações, destruir evidências, como substituir HD apreendido por dispositivo vazio no DPPC, e garantir impunidade a investigados em troca de vantagens. Propinas eram recebidas em locais como o hangar do Serviço Aerotático no Campo de Marte.
Para ocultar a origem dos recursos, os suspeitos utilizavam empresas de fachada que simulavam vendas inexistentes, convertendo dinheiro em espécie em créditos de vale-refeição inseridos no sistema como benefícios trabalhistas. Essa prática permitia inserir valores ilícitos na economia formal.
Entre os detidos estão o delegado João Eduardo da Silva (Delegacia do Jabaquara), o escrivão Ciro Borges Magalhães Ferraz (mesma unidade), os investigadores Roldnei Eduardo dos Reis Baptista (1ª Delegacia de Combate à Corrupção do DPPC) e Rogério Coichev Teixeira (Serviço Aerotático), além dos advogados Antônio Carlos Ubaldo Júnior e Marlon Antônio Fontana, e a doleira Meire Poza. O doleiro Leonardo Meirelles, com mandado de prisão, segue foragido.
A operação é desdobramento de apurações anteriores, como a Recidere (2023), que rastreou envio de R$ 4 bilhões ilícitos ao exterior, e a Fractal, focada em fraudes bancárias e criptomoedas, que identificou conexões com policiais civis.
A Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria participa ativamente e já determinou processos administrativos disciplinares nas unidades afetadas, iniciando pelo 35º DP (Jabaquara). O governador em exercício, Felicio Ramuth, classificou os fatos como isolados, envolvendo poucos agentes, e prometeu rigor nas punições.
Foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão em residências, escritórios de advocacia e sedes policiais, com bloqueio de bens dos investigados.
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