Diretor da PF critica rotulagem de facções como terroristas pelos EUA

Andrei Rodrigues defende cooperação para prender foragidos e bloquear armas, mas vê erro na estratégia americana
Por: Brado Redação 05.jun.2026 às 17h19
Diretor da PF critica rotulagem de facções como terroristas pelos EUA
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, considerou um equívoco a decisão dos Estados Unidos de incluir as facções brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) na lista de organizações terroristas. A medida entrou em vigor nesta sexta-feira (5).

Em entrevista à TV Globo, o chefe da PF destacou que o terrorismo costuma ter motivações ideológicas ou religiosas, enquanto o crime organizado busca apenas o lucro financeiro. Por isso, as formas de enfrentamento precisam ser diferentes para cada caso.

Apesar da discordância, Rodrigues defendeu o fortalecimento da parceria com as autoridades americanas. Ele citou a possibilidade de maior troca de informações, prisão de criminosos foragidos em solo dos EUA e bloqueio do envio de armas para o Brasil. 

“Essa definição é um equívoco, porque a estratégia de enfrentamento é diferente”, afirmou o diretor. Segundo ele, a classificação não altera a atuação da Polícia Federal nem as políticas brasileiras de combate ao crime organizado. A PF continua focada na integração entre órgãos, descapitalização das quadrilhas e prisão de líderes.

A Polícia Federal não recebeu comunicação oficial prévia sobre a medida e soube dela pela imprensa. Rodrigues avaliou que ainda é cedo para medir impactos na cooperação bilateral, mas garantiu que não houve qualquer sinal de mudança imediata por parte dos americanos.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto e o Itamaraty defendem a manutenção do diálogo com Washington, mesmo reconhecendo que a decisão dificilmente será revertida em curto prazo. O governo brasileiro reforça que o combate ao crime organizado é prioridade, mas que a cooperação internacional deve respeitar a soberania nacional.

Especialistas alertam para possíveis consequências econômicas. A inclusão na lista pode aumentar exigências de compliance para empresas brasileiras que operam com os EUA, elevando custos e potencialmente desestimulando investimentos estrangeiros no país.

Andrei Rodrigues ressaltou que a decisão americana não influencia as ações de segurança pública no Brasil. “Na prática, essa decisão de um outro país soberano não tem nenhuma influência nas políticas públicas brasileiras”, concluiu.



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