A Justiça Eleitoral da Bahia determinou a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, após a redução da frota de ônibus na capital. A medida, tomada pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia, Maurício Kertzman Szporer, ocorreu porque cerca de 75 veículos teriam sido impedidos de sair das garagens em razão de adesivos com referências a candidatos. A ordem ainda não havia sido cumprida, já que o secretário se encontrava em Paris, em missão oficial.
Essas dificuldades de mobilidade se somaram a denúncias registradas também em São Paulo, Alagoas, Piauí e Sergipe durante o segundo turno das eleições presidenciais, no domingo, 25 de outubro. A Polícia Federal continua as apurações para verificar se houve tentativas deliberadas de dificultar o deslocamento dos eleitores até as seções de votação. As investigações se concentram em possíveis crimes de impedimento ou embaraço ao exercício do voto e de ocultação de meios de transporte.
O diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção da corporação, Dennis Cali, informou que agentes já ouviram testemunhas e realizaram diligências. “São fatos que ainda estão em desdobramento”, declarou. Um inquérito foi instaurado em Sergipe, enquanto as ocorrências nos demais estados seguem sob análise. A PF atua em conjunto com os Tribunais Regionais Eleitorais, o Ministério Público Eleitoral e outras forças policiais para esclarecer as circunstâncias e identificar eventuais responsáveis.
Em meio aos relatos de eleitores que tiveram dificuldades para chegar aos locais de votação, o ministro do Supremo Tribunal Federal Cristiano Zanin prorrogou o horário de votação até as 19h. A decisão foi criticada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado na disputa presidencial, que a classificou como “inexplicável” e afirmou que o episódio poderia levar à anulação da eleição. Tanto a campanha do candidato liberal quanto a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vencedor do pleito, haviam pedido a extensão do horário em diferentes regiões.
As investigações buscam determinar se as falhas no transporte resultaram de problemas operacionais ou de ações intencionais para prejudicar o exercício do voto. Até o momento, as suspeitas permanecem em fase de apuração.
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