Lira e Pacheco ficaram ‘totalmente acovardados’ numa situação tão grave como a de Silveira, diz jurista

Ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo considera que indulto concedido por Bolsonaro ao deputado federal foi ‘atitude para restabelecer a democracia’, não contra a Suprema Corte
Por: Brado Jornal 23.abr.2022 às 12h25
Lira e Pacheco ficaram ‘totalmente acovardados’ numa situação tão grave como a de Silveira, diz jurista
Ivan Sartori defende que a sociedade cobre maior posicionamento dos presidentes da Câmara e do Senado Federal

O indulto penal concedido a Daniel Silveira é preceito constitucional do presidente Jair Bolsonaro, avalia Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo. Na visão do jurista, o chefe do Executivo “agiu corretamente” ao dar graça ao deputado federal, lançando um “remédio constitucional” e restabelecendo a democracia. “Ele não quis afrontar o Supremo. A ideia não é essa. [Bolsonaro] é um liberal. Em hipótese nenhuma, pode se falar o que for, nunca ele proibiu, censurou ou fez qualquer coisa que restringesse direitos individuais. Ele é um democracia, um liberal”, disse Sartori, em entrevista concedida ao Jornal da Manhã, da Jovem Pan News. “Presidente tomou uma atitude democrática para restabelecer a democracia, não contra o Supremo’, acrescentou.

Daniel Silveira, deputado federal pelo Rio de Janeiro, foi condenado na quarta-feira, 19, a 8 anos e 9 meses de prisão por ampla maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), após falas proferidas em vídeo divulgado nas redes sociais contra os magistrados. Um dia após a decisão, no entanto, o presidente Jair Bolsonaro concedeu indulto penal a Silveira pelos crimes cometidos, o que levantou uma série de discussões a respeito da decisão presidencial, assim como da validade do processo, considerado inválido por Ivan Sartori. “É absolutamente nulo. Para não dizer nulo, digo inexistente, porque é um processo completamente à margem da Constituição. Temos as próprias vítimas são julgadores. Daniel não pode nem acompanhar seu julgamento, uma situação que viola a ampla defesa”, afirmou o jurista. 

Considerando o perdão presidencial, a expectativa é que Daniel Silveira possa se candidatar nas eleições de 2022, anulando também o período de oito anos de inelegibilidade, assim como a multa, explica o ex-presidente do TJSP. “Se você tem o perdão, ele tem que ser absoluto. Não basta perdoar uma pena tão grave como a restritiva de liberdade e continuar os efeitos da condenação”, menciona. Ivan Sartori finalizou defendendo que a sociedade cobre dos presidentes da Câmara e do Senado Federal, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, um maior posicionamento sobre o caso. “Vejo com tristeza os nossos representantes, que o povo votou, totalmente acovardados, quietos, impassíveis, diante de uma situação tão grave. Não vejo outra situação mais grave do que essa, do que o desrespeito à garantia fundamental de um deputado poder se manifestar. […] Presidentes estão faltando com o povo, apresentando uma conduta que o povo não pode aceitar e esses presidentes têm que ser chamado a responsabilidade.”



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Moraes, Dino e Zanin determinam que tribunais expliquem supersalários a juízes
Ministros do STF dão 48 horas para presidentes de sete TJs justificarem pagamentos acima do teto constitucional
Deputados da Bahia já gastaram mais de R$ 206 mil em viagens ao exterior neste ano
Levantamento revela que parlamentares baianos usaram recursos públicos para missões internacionais em vários países, com Cláudio Cajado liderando os gastos
Bruno Reis alfineta Jerônimo e diz que governistas vivem inferno astral máximo
Prefeito de Salvador critica declarações durante o 2 de Julho e aponta tensão na base aliada do governador
Governador do Piauí sanciona lei que reserva vagas em empresas contratadas pelo poder público para presos e egressos
Rafael Fonteles (PT) determina que até 5% das vagas sejam destinadas a pessoas do sistema prisional em contratos públicos
Ex-mulher do goleiro Bruno está intubada em estado grave após desaparecimento
Dayanne Rodrigues do Carmo foi encontrada após três dias e a Polícia Civil investiga as circunstâncias do caso
Capitão Alden critica projeções fiscais do governo Lula e cobra explicações da Fazenda
Deputado baiano protocolou requerimento pedindo detalhes sobre estimativas do Tesouro e medidas para equilibrar as contas públicas
Carregando..