Moraes autoriza STF a julgar militares envolvidos no 8 de janeiro

Segundo Polícia Federal, há suspeita de omissão do Exército
Por: Brado Jornal 28.fev.2023 às 06h24
Moraes autoriza STF a julgar militares envolvidos no 8 de janeiro
(Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Supremo Tribunal Federal (STF) poderá investigar e julgar militares suspeitos de envolvimento nos atos que resultaram na invasão da sede dos Três Poderes em 8 de janeiro, em Brasília. Ele também abriu investigação sobre a participação de membros das Forças Armadas e da Polícia Militar do Distrito Federal suspeitos de participação no movimento.


“Fixo a competência do Supremo Tribunal Federal para processar e julgar os crimes ocorridos em 8/1/2023, independentemente de os investigados serem civis ou militares e defiro a representação da Polícia Federal e autorizo a instauração de procedimento investigatório para apuração de autoria e materialidade de eventuais crimes cometidos por integrantes das Forças Armadas e polícias militares relacionados aos atentados contra a democracia que culminaram com os atos criminosos e terroristas do dia 8 de janeiro de 2023”, escreveu o ministro na decisão.


O ministro autorizou a abertura de processo do STF ao analisar um pedido da Polícia Federal (PF) para investigar a conduta de militares. Segundo a PF, existe a suspeita de participação e de omissão de militares do Gabinete de Segurança Institucional e do Batalhão da Guarda Presidencial, baseada em depoimentos de policiais militares do Distrito Federal ouvidos pela quinta fase da Operação Lesa Pátria.


Ao justificar a competência do STF em vez da Justiça Militar para julgar o caso, Moraes argumentou que os crimes sob investigação estão previstos no Código Penal e que a lei não distingue investigados civis e militares. “A responsabilização legal de todos os autores e partícipes dos inúmeros crimes atentatórios ao Estado Democrático de Direito deve ser realizada com absoluto respeito aos princípios do devido processo Legal e do Juiz Natural, sem qualquer distinção entre servidores públicos civis ou militares”, destacou Moraes.


Moraes argumentou ainda que o próprio Supremo já decidiu que o Código Penal Militar não abrange crimes civis. “O Código Penal Militar não tutela a pessoa do militar, mas sim a dignidade da própria instituição das Forças Armadas. Conforme pacificamente decidido por esta Suprema Corte ao definir que a Justiça Militar não julga crimes de militares, mas sim crimes militares”, acrescentou o ministro.


Os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro são investigados pelos seguintes crimes: atos terroristas, ameaça, perseguição, dano, incitação ao crime, incêndio majorado, associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Pesquisa BTG/Nexus aponta declínio de Lula no Nordeste após operação contra Jaques Wagner
Escândalo envolvendo o senador petista e o caso Banco Master é apontado como principal fator para a redução de cinco pontos nas intenções de voto do presidente na região.
Enderson Guinho anuncia apoio a Arthur Maia e Jânio Júnior
Ex-vice-prefeito de Itabuna e presidente municipal do União Brasil formaliza aliança para deputados federal e estadual
Michelle Bolsonaro diz a aliados que desistiu de concorrer ao Senado após atrito com Flávio
Ex-primeira-dama alega cansaço e preocupação com repercussão da briga familiar; parlamentares tentam convencê-la a reconsiderar
Michelle Bolsonaro compartilha vídeo de Garotinho sobre festas de Vorcaro
Ex-primeira-dama reposta conteúdo que menciona eventos com mulheres nuas e políticos conservadores, reacendendo atritos internos
Pesquisa Nexus mostra Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no 2º turno
Aprovação do presidente chega a 48%, mesmo índice de rejeição, em levantamento divulgado nesta segunda-feira (29).
Jovem baiana morre em SP após aguardar 59 dias por medicamento autorizado pela Justiça
Larissa Amorim Soares, de 33 anos, lutava contra leucemia e não recebeu imunoterapia já incorporada ao SUS; caso teve repercussão na Bahia
Carregando..