Novo pede investigação de Dino por abuso de autoridade contra o Google

Partido afirma que ministro e chefe da Secretaria do Consumidor perseguiram empresa, por posição contrária ao PL 2630
Por: Brado Jornal 05.mai.2023 às 17h29
Novo pede investigação de Dino por abuso de autoridade contra o Google

O Diretório Nacional do partido Novo entrou com uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro da Justiça, Flávio Dino, e contra o secretário Nacional do Consumidor (Senacon), Wadih Damous. O partido pede que os representados sejam processados pelos crimes previstos na Lei de Abuso de Autoridade, por terem instaurado procedimento contra o Google.

A empresa de internet publicou um artigo manifestando preocupação em relação ao Projeto de Lei 2630/2020 e afirmando que as novas regras poderiam provocar “confusão sobre o que é verdade ou mentira”. Foi isso o que motivou a ação da Senacon e do Ministério da Justiça.

Para o Novo, Dino e Damous, subordinado do ministro, agiram apenas porque o Google discordou do governo, que é abertamente favorável ao PL 2630. “O ponto, aqui, é simplesmente o seguinte: a posição do Google contraria diretamente os interesses do governo federal. Ou seja: houvesse o Google postado algo como ‘é importante discutirmos liberdade de expressão nas redes sociais’, com um tom sensivelmente favorável à regulamentação, o ministro de Estado da Justiça teria acusado a plataforma de conduta abusiva?”, questionaram os advogados do partido na representação à PGR.

O abuso de autoridade, explicam os advogados, ocorreu porque o procedimento de Dino e Damous não tem amparo legal, como é exigido pela legislação. “Então, no fundo, o que resta é o seguinte: duas autoridades públicas, dois integrantes do governo federal, em fundamentação amplamente frágil, estão perseguindo uma empresa que emitiu opinião contrária aos interesses do governo. Trata-se, portanto, da configuração singela de distintos dispositivos da Lei de Abuso de Autoridade.”

Na representação, os advogados do Novo deixam claro que o Google não fez publicidade contra o projeto e também não tentou induzir os consumidores a atuarem de acordo ao seu interesse comercial. Tratou-se apenas de liberdade de expressão. “Assim, na concepção do ministro Flávio Dino, a empresa não poderia emitir qualquer opinião, nem mesmo quando o assunto lhe toca diretamente.”

Além disso, a representação também expõe a falta de isonomia entre o tratamento dispensado ao Google e emissoras de TV, que ostensivamente manifestaram-se favoráveis ao PL 2630. “Do mesmo modo, os jornais e os canais de TV expõem diariamente a população apenas ao ponto de vista favorável ao projeto. Se tratarmos os envolvidos com isonomia, o mesmo espaço para opinião divergente deverá ser reservado às big techs nas mídias tradicionais.”



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