Ex-secretário do GSI culpa G. Dias por invasão no 8 de janeiro

Penteado depõe nesta segunda-feira, 4, na CPI do 8 de Janeiro da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Por: Brado Jornal 04.set.2023 às 16h49
Ex-secretário do GSI culpa G. Dias por invasão no 8 de janeiro

O general Carlos José Russo Penteado, ex-secretário-executivo do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), disse que o general Gonçalves Dias, ex-ministro do GSI, não repassou os avisos sobre o risco iminente de invasões no Palácio do Planalto. Penteado depõe nesta segunda-feira, 4, na CPI do 8 de Janeiro da Câmara Legislativa do Distrito Federal. 

“Não recebi nenhuma informação [sobre o risco de invasões], portanto não poderia passar nenhuma informação ao G. Dias”, explicou Peneteado. “Às 8h da manhã, o então diretor da Abin, Saulo de Moura Cunha, avisou o G. Dias sobre a manifestação e o grau de violência que havia. Às 8h36, o ex-ministro já tinha chegado à conclusão. Das 8h36 até a invasão do Planalto, teríamos tempo de fazer muita coisa. Teríamos tempo de fazer o plano de chamada dos gabinetes e colocar os militares, teríamos tempo de levar as tropas para o Plano Escudo, teríamos tempo de reagir. Não recebemos a informação.” 

À CPMI do 8 de Janeiro, G. Dias disse que recebeu informações “desencontradas” por parte de Penteado, de Saulo e da coronel Cíntia, da Polícia Militar do Distrito Federal. Penteado teria tranquilizado o então ministro sobre o risco de invasões, durante uma ligação na tarde de 8 de janeiro. 

Já Saulo, desde 5 de janeiro, encaminhou para o telefone pessoal de Gonçalves Dias mais de 20 avisos que alertavam sobre o risco de manifestações violentas e de invasão de patrimônio público. 

Na manhã do dia 8, inclusive, G. Dias foi comunicado sobre a chegada de quase cem ônibus a Brasília e respondeu da seguinte forma: “Vamos ter problemas”. À CPMI, o ex-ministro explicou que não considerou como uma “plataforma correta” o meio pelo qual foi notificado do risco de invasões. 

Contudo, essa era a única ponte entre a Abin e o GSI naquele momento. O órgão de inteligência tinha grupos em que comunicava sobre os riscos de invasões. Entre os membros, estavam órgãos de segurança do Distrito Federal e do governo federal. O GSI estava em um dos grupos por intermédio de um agente que estava de férias. 

“Se eu ou o Carlos Feitosa tivéssemos recebido os alertas, posso afirmar que teríamos acionado os meios necessários para evitar a invasão ao Planalto”, continuou Penteado. 

À CPI do DF, o ex-secretário-executivo do GSI disse que houve falhas no fluxo de informações recebidas, pois não recebeu nenhum alerta da Abin. “Tínhamos a informação de que a manifestação seria pacífica”, explicou. 

Esse seria o motivo pelo qual Penteado disse a G. Dias, em 8 de janeiro, que os arredores do Planalto estavam “normais e tranquilos”. Gonçalves Dias, contudo, não teria repassado nenhum dos avisos da Abin ao seu “número 2”. 

O general Penteado é apontado como aliado do general Augusto Heleno, ministro do GSI na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Penteado assumiu a secretaria-executiva do GSI em 2021 — ainda na gestão Bolsonaro — e foi mantido por G. Dias até 8 de janeiro, quando foi exonerado depois dos ataques.



📲 Baixe agora o aplicativo oficial da BRADO
e receba os principais destaques do dia em primeira mão
O que estão dizendo

Deixe sua opinião!

Assine agora e comente nesta matéria com benefícos exclusivos.

Sem comentários

Seja o primeiro a comentar nesta matéria!

Carregar mais
Carregando...

Carregando...

Veja Também
Itamaraty cancela visto de assessor de Trump que tentaria visitar Bolsonaro
Governo brasileiro revoga autorização de entrada de Darren Beattie em retaliação a bloqueio de ministro da Saúde nos EUA; encontro na prisão foi vetado por Moraes
Daniel Vorcaro troca advogados e inicia movimentação para delação premiada
Dono do Banco Master muda defesa após STF manter prisão; novo criminalista José Luis Oliveira Lima assume e conversas sinalizam possível acordo de colaboração com a Justiça
Dólar registra leve recuo na abertura após forte alta na véspera
Mercado reage a tensões no Oriente Médio e alta do petróleo, com atenção ao impacto inflacionário e decisões do Copom
Ala política do STF teme delação de Vorcaro durante julgamento da prisão
Segunda Turma analisa referendo à decisão de Mendonça com atenção redobrada de parlamentares
EUA realizam bombardeio massivo na Ilha de Kharg, no Irã
Trump anuncia ataque que obliterou alvos militares na principal plataforma de exportação de petróleo iraniano, mas poupou infraestrutura de óleo
STF forma maioria para manter prisão de Daniel Vorcaro no caso Master
Segunda Turma do Supremo analisa medidas de Mendonça, incluindo detenção do banqueiro e de outros investigados; julgamento virtual segue até sexta-feira (20)
Carregando..